Carta social

Bokeh Love Hearts (Foto: Pixel Artistry/ Creative Commons)

O silêncio da noite anunciou a manhã descobrindo os desejos. Encontrei-o como quem não quer nada. Você, meu eterno Visgueiro, arrastou o horizonte do meu novo dia. Caso o amor não seja uma razão do coração com um sistema orgânico involuntário, invento novas bombas, fórmulas, desvendo sonhos, viro esteta ou ao avesso, meu precioso bem.

Arrisca-se como um cavalo afoito, seja o meu casaco, a sombra da minha árvore no calor da tarde. Serei a flor pomposa e fina do teu mandacaru, o teu copo de leite, a tua dama da noite. Sim! Eu posso ser a sua Fanny. Por que eu ri e agora quero te sentir no vento, em um beijo com gosto de lágrimas sorridentes, no suor do teu tormento, nas nuvens brancas de um céu azul.

Abri uma janela para você entrar com a brisa gostosa da lua esdrúxula. Você é o Elvis da minha carteira de solteira, meu boi estrela. Dá-me um cacho do teu cabelo, serei tua ama com zelo. Galopa astuto nas minhas correntes, te darei espíritos evoluídos de presente. Além de serras para te fazer suplantar, te colocarei na beira de um abismo e você aprenderá a voar  comigo.

Um-bi-go

Cena do filme, Aconteceu em Woodstock (Taking Woodstock - Ang Lee, 2009)

Um tipo de amigo bipolar diagnosticado pela liberdade. Uma hora distância, a desoras é só chamar. Realidade atemporal de um esboço preto e branco que colore entrelinhas. No relógio da vida o ponteiro alarma lembranças, quando toca é hora de marcar. Não tem data, não tem lugar. É vida avulsa, muita convicção e preguiça de namorar.

Assim como o pacifismo abordado no filme “Hair”. Está mais para “Free Love” do que “Fuck Buddy”, no sentido real das palavras. A moda às vezes rotula tendências que desmerece a arte e banaliza um momento. Os grandes poetas eternizam até o ato de suspirar. Então por que não fazer uma casadinha entre seguro e amigável no júbilo ato descompromissado?

Um tipo de enquete com infinitas questões. Uma hora afirmativa outrora negativa. É uma frase com reticências. O livro aberto dos melhores capítulos, onde o marca texto escolhe algumas páginas ou até mesmo algumas pequenas citações. A escolha do início, meio e fim da história em mãos. Siga um caminho e não faça morada.

Basta apenas jogar a bandeira da rotina tradicional fora. A chave da casualidade é bem sincera. Around the world. Essa é a jogatina de maior honra ao mérito: Cards on the Table. A prática do Fair Play com maestria. O diagrama perfeito do Yin Yang. Uma cultuação da mitologia hindu. O xadrez do querer e o cacife da aposta de um poker.

Tá mais pra o hipotálamo do que para uma disritmia. Uma forma de guardar as melhores experiências. O amadurecimento dos sentidos. Um ensaio sublime da felicidade. Para quem têm mestrado em acrobacia aérea, malabarismo e equilibrismo sobe uma linha extremamente tênue. Cuidado!
Alguém jamais namorou um inimigo. Cuide do seu umbigo.

O Rio e O Mar

Pintura de Salvador Dalí

Sei que sou o mar
e que sempre
chegarão ao meu leito
as tuas águas.

 

Mesmo que se afastem de mim
os teus pés
arrastados pelos tufões
ou retidos pelas calmarias
as tuas mãos
estarão sempre acenando
e lançando sementes
de comunhão e de retorno
ao meu sal.

Sei que sou o mar
que te recolhe.
E enquanto fores o rio
que me alimenta
será sempre a tua sorte
derramar no meu leito
as tuas águas.

Do amor e seu calendário.

O poeta me sussurrou ao pé do ouvido: “não seja imortal posto que é chama, mas seja infinito enquanto dure”, eu acreditei. Que quando uma história começa, é como um conto que escolhemos escrever, mesmo sabendo que não nos cabe escolher o final. A gente começa acreditando que é pra sempre, que vai ser a mais incrível de todas as histórias, o futuro mais lindo e completo de todos os sonhos realizados.

Colecionamos fotografias, dias, noites. Colecionamos cores de pôr-do-sol. Letras, músicas, saudades. Esperamos ansiosamente cada novo mês, cada aniversário. Criamos rituais só nossos, planejamos os anos seguintes. Dormimos abraçados, acordamos juntos. Noites ébrias, manhãs de sol, mergulhos intensos.

Aí o amor subiu no telhado…

Eu sei que se pudéssemos escolher não errar, não magoar, o faríamos. Se pudéssemos evitar o erro do outro… Mas, isso é impossível saber e fazer! A gente nunca percebe quando está escrevendo o fim do conto, ou nunca queremos acreditar que possa haver um final. Estamos acostumados a esperar que dure pra sempre o que sempre tem fim.

E existem amores que podem acabar, mas não morrer nunca. Ficam ali, estacionados, esperando as voltas do mundo, esperando pra retomar o que pode ter virado terreno de nunca mais… Enquanto a grama vai crescendo, enquanto os carros transitam, enquanto o sol adormece e acorda no horizonte, outras pessoas existem, outras histórias convergem, outros mundos se criam.

Sempre dói quando acaba, sempre parece insubstituível (e acredito que o seja!), não existirá outro amor igual, isso é certo! Também é certo que já não somos mais aqueles que de repente se descobriram namorando há anos atrás, que contavam as horas para um encontro, que usavam madrugadas e bancos de praça como testemunhas. Duas novas pessoas existem depois que um amor acaba. Se melhores ou piores, é possível escolher.

As despedidas são difíceis, eu sei. Mas não dá pra saber o que escolherão, o que escolheremos nas próximas páginas. Eu só desejo um sonho novo, mais intenso e forte, que os personagens sejam felizes, sejam quais forem! Que o amor que morre seja uma porta imensa, aberta para tudo o que pode nascer. E que esteja certo o poetinha, porque o mais importante do amor é que ele existe, mesmo que não dure para sempre!

Para ler ouvindo o Pet Sound dos Beach Boys. Por que a vida tem trilha sonora.

Os Grandes Valentões da Madrugada e O Dia Internacional da Mulher

Hoje, como a tevê já deve ter avisado através de suas inúmeras e, muitas vezes, constrangedoras propagandas, é o dia internacional da mulher.

E você, rapazinho, deve estar em casa neste exato momento, pensando o que vai comprar para dar de presente para sua mãe, irmã, namorada, avó ou professora.

Perfume? Roupas? Jóias? Rosas?

Não, companheiro, aceite meu conselho: não compre nada.

Instauraram o dia internacional da mulher com os mesmos objetivos escusos que instauraram o dia da criança, dos namorados, das avós, dos amigos.

Motivo para vender mais, blablabla e fim.

Acontece que mulher não precisa de perfume, roupas, jóias ou rosas.

Mulheres precisam de respeito.

E, algumas delas, além de respeito, precisam de ajuda.

Sim, ajuda.

Tem marmanjos demais por aí dando uma de valentão para cima de nossas mulheres.

E não faça essa cara de abajur!

Este é  um problema grave e perigoso, apesar de silencioso, e mais cedo ou mais tarde, acredite, vai bater na sua porta.

Acompanhem estes dados aterrorizantes, por favor.

Os negritos são meus.

  • Brasil é o país que mais sofre com violência doméstica, segundo pesquisa da Sociedade Mundial de Vitimologia (www.ipas.org.br);
  • No Brasil, a cada 7 segundos uma mulher é agredida em seu próprio lar (Fundação Perseu Abramo);
  • A violência doméstica é a principal causa de morte e deficiência entre mulheres de 16 a 44 anos e mata mais do que câncer e acidentes de trânsito (www.violenciamulher.org.br)
  • 51% da população brasileira declaram conhecer ao menos uma mulher que é ou foi agredida por seu companheiro (IBOPE 2006);
  • 30% das mulheres brasileiras com mais de 15 anos já sofreram violência extrema (UNIFEM 2007);
  • Entre 25% e 50% das sobreviventes são infectadas por DST (doenças sexualmente transmissíveis);
  • 70% dos incidentes acontecem dentro de casa, sendo que o agressor é o próprio marido ou companheiro;
  • Mais de 40% das violências resultam em lesões corporais graves decorrentes de socos, tapas, chutes, amarramentos, queimaduras, espancamentos e estrangulamentos;
  • Um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que cerca de 70% das vítimas de assassinato do sexo feminino foram mortas por seus maridos;
  • Pelo menos uma em cada três mulheres ao redor do mundo sofre algum tipo de violência durante sua vida, de acordo com estimativa da Anistia Internacional;

Por isso, amigo, flores e perfumes são bobagens quando, a cada sete segundos, uma mulher é vitimada física ou moralmente dentro de sua própria casa. Faça as contas e veja a gravidade da situação: enquanto você lê este texto, cerca de 25 brasileiras irão sofrer algum tipo de agressão.

É claro, não sou ingênua o bastante para acreditar que um sujeito capaz de bater em uma mulher leia um texto como esse e se sensibilize, assim como não creio que vá se sensibilizar com campanhas contra a violência e etc.

Também não boto fé que uma vítima de violência doméstica, depois de ler o que escrevo, seja possuída por uma súbita e arrebatadora bravura e resolva tomar uma atitude drástica – elas estão muito ocupadas morrendo de medo.

Por isto, este texto é para aqueles homens que não batem em mulheres, e acham isso o ó do borogodó, o fim da picada, o cúmulo dos cúmulos.

Vocês, homens de verdade do meu Brasil, podem ajudá-las.

Sim, vocês!

E explicarei aqui como e por que.

Primeiramente, é importante que todos saibam: nenhuma mulher gosta de apanhar.

Nenhuma; nenhumazinha sequer!

Então, paremos com esse discurso lavo-as-minhas-mãos-e-que-se-foda.

Se a mulher apanha, e continua apanhando, e não denuncia o sujeito, é porque tem medo, camarada.

Só isso.

Ela tem medo.

Medo de sofrer represálias, medo de ser assassinada, medo de sofrer mais agressões, medo por elas, pelos filhos, pelos familiares.

Eu sei, agora existe a Lei Maria da Penha, mas, cá entre nós, substancialmente, a dita cuja não serve para nada.

O agressor recebe uma intimação judicial que o proíbe de se aproximar da vítima, talvez pague umas cestas básicas e pinte alguns muros e canteiros, e tudo continua exatamente igual.

A prova do que digo é o número obsceno de mulheres que acabam assassinadas por seus companheiros, mulheres estas que, muitas vezes, fizeram não apenas um, mas dezenas de BO’s que não resultaram em absolutamente nada.

E estes casos de assassinatos, que só aparecem na televisão porque chegaram ao extremo, são apenas a ponta do iceberg.

Porque, além das vítimas fatais, milhares de outras continuam na mira da violência doméstica, caladas, envergonhadas, apavoradas.

Potencialmente condenadas à morte.

Nem critico a lei.

Não se pode prender todos os homens que ameaçam suas mulheres de morte, porque as cadeias mal possuem vagas para aqueles que, de fato, mataram. Também não existem policiais suficientes para que fiquem de prontidão na casa da vítima 24 horas por dia, pois o efetivo policial está em frangalhos, mal consegue cumprir com suas funções mais básicas.

Logo, a Lei Maria da Penha serve mais para um descarrego de consciência do que, de fato, para proteger a mulher de seu agressor.

Enquanto o homem que bate não tiver medo da punição, continuará batendo.

E acredite: para a maioria deles, meia dúzia de cestas básicas e algumas pinceladas de pincel na parede da delegacia valem à pena, desde que possam continuar aterrorizando sua mulher – esta, aliás, sua maior diversão.

Mas então o que fazer?

Eu respondo: essas mulheres agredidas devem ter um pai, um irmão, um amigo, um vizinho.

Não é  possível que não!

Não acredito que estejam sozinhas no mundo, a mercê.

E são esses homens que possuem a obrigação moral e cívica de defendê-las.

Sim porque, todos sabem: homens que batem em mulheres não passam de grandes covardes bundas moles.

Gostam bater nos mais fracos, porque, de igual para igual, parecem hamsters assustados.

É fato.

E sabem por que afirmo isso com toda a convicção do mundo?

Porque já  sofri violência doméstica também.

Sim, já.

E não tenho vergonha nenhuma de assumir isso publicamente – até porque, sob o meu ponto de vista, quem deve ter vergonha disso é ele, e não eu.

Faz tempo, eu era uma adolescente idiota e abobalhada, e o traste seguiu à risca a cartilha dos valentões: ameaçou, fez chantagem, descontrolou-se, fez e aconteceu.

E só  parou quando tomou meia dúzia de tabefes muito bem dados na orelha.

Exatamente.

O grande e perigosíssimo valentão da madrugada parou de latir assim que tomou o primeiro sopapo.

Cessou com as ameaças, parou de encher o saco, sumiu do mapa.

Sossegou.

E eu, mais ainda.

E foi só aí que entendi: os valentões da madrugada, que gostam de bater em mulheres, só são valentões da madrugada até encontrarem alguém mais valentão da madrugada do que eles – e vamos combinar: de valentões esses ditos cujos só tem a pose.

Ou seja: quem pode, de verdade, ajudar estas mulheres a se defender desses companheiros (?) violentos são os homens que estão à volta dela.

Seus amigos, seu pai, seu novo namorado, seu irmão, seu vizinho, seu colega de trabalho.

Boletins de ocorrência até são válidos, mas, no frigir dos ovos, acabam não servindo para nada.

As mulheres agredidas continuam em risco, continuam amedrontadas, aprisionadas ao seu próprio terror.

Sou daquele tipo de pessoa que acredita que alguns problemas a gente resolve no olho por olho, dente por dente e que se dane.

Homem que bate em mulher é covarde e só por isso bate em mulher.

Porque sabem que, em relação a elas, são mais fortes.

Mas na hora de encarar um homem ‘do seu tamanho’, se mijam nas calças pateticamente e fim.

Garanto.

Eu sei, este é um texto politicamente incorreto.

Afinal, estou sugerindo que resolvamos a violência com mais violência.

Mas, infelizmente, não consigo enxergar outra saída para este mal que atormenta uma mulher a cada 7 segundos, só aqui no Brasil.

E se você  acha que estou errada, e que violência se responde com amor e ternura, e que estes homens precisam de ajuda ao invés de punição, é porque nunca foi agredida, ou porque nunca viu sua amiga, sua mãe ou sua filha sofrer qualquer tipo de violência, qualquer tipo de covardia.

Eu já  fui vítima de violência doméstica, e faço parte destas estatísticas que você acabou de ler ali em cima.

Eu sei exatamente a dimensão do terror sob o qual vivem estas mulheres, sei exatamente qual a grandeza e a gravidade deste problema – e também sei o quanto são acovardados esses grandes valentões, que enquanto latem parecem cachorros grandes, mas é só você sapatear na sala e descobre que não passam de poodles cor de rosa amedrontados e comedores de ração.

Se não podemos prendê-los, então precisamos pará-los.

Temos a obrigação de impedir que suas ameaças se tornem reais.

Precisamos apresentar para estes homenzinhos meia boca homens de verdade, homens que os façam sentir exatamente o mesmo medo e o mesmo terror que incutem em suas parcerias, covardemente, estupidamente, grosseiramente, para que provem o gosto do próprio veneno.

Não dá  para esperar que mais mulheres morram para, só então, puni-los.

Homem que bate em mulher merece apanhar.

Precisa apanhar.

Tem o direito e o dever de apanhar.

É a única maneira de fazer com que estes grandes valentões da madrugada coloquem seu pequenino rabo entre as pernas e deixem suas ex-companheiras viverem em paz.

Ademais, que tenham todos um feliz dia internacional da mulher.

Sem perfumes e jóias, roupas e rosas, com respeito e proteção, agora e sempre.

Amém.

Voz

Ei!
Você!
Escuta-me,
Olha-me,
Entende-me!
Você não vê!
Ninguém vê!
Mas eu estou aqui.
Olhando-te, falando pra você.
Estou dentro de você também!
Gritando,
Berrando poemas na tua mente,
E levando pro teu coração.
Eu também sou você,
E todos os outros do mundo também.
Eu sinto a tua dor,
Choro tuas,
E tento te fazer feliz.
Mas você não vê!
Ninguém vê!
Mais eu te amo.

Eriberto Henrique da Silva, nascido em 04 de abril de 1985, escreveu seu primeiro poema aos sete anos de idade, em um exercício em sala de aula. Negro de família humilde, e criado nas ladeiras do curado IV, sofreu com os preconceitos e as injustiças que um suburbano tende a sofrer, mas com suas palavras aprendeu a lutar contra as mazelas. Fazendo crescer o orgulho de ser negro, poeta e suburbano.

O Poeta do Subúrbio.
Contato: (81) 8781-2571/ 8643-4415 | www.pretopobrepoeta.blogspot.com


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Compete a editoria da Revista Zena a decisão sobre a veiculação do material encaminhado. A opinião do colaborador não reflete necessariamente a posição da revista.

Amor & Paixão

Confira a poesia de Paulo Ernesto Arrais sobre AMOR & PAIXÃO. O poeta insufla ritmos nas palavras, com musicalidade ínsita a compreensão dos sentimentos.

A paixão é diferente
Do sentimento: amor
Podendo se contrapor
Os verbos deste repente
A paixão é inerente
Aquilo que é passageiro
É fogo e queima ligeiro
E também é muito intenso
Já o amor rima com imenso
E é “pra sempre” e verdadeiro.

Paulo Ernesto Arrais do Nascimento é natural do Crato-Ceará. Jornalista, poeta, repentista e compositor. Repórter, e apresentador do Jornal do Meio Dia da TV Verdes Mares – Cariri.


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Sexo com amor ou sem

Sex Scene (Pintura de Natalie Watson)

É necessário transpor o muro da autocensura e moralismo há muito tempo imposto e submissamente não escalado pelo sexo feminino por mero receio ou resignação.

Muitas mulheres abrigam, de maneira velada, esse desejo dentro de si de se libertar, de se relacionar com um desconhecido, de sentir um prazer que não esteja ao alcance das palavras. Mas preferem acreditar que não sentem isso de fato e se autossabotam com a ideia de que é impossível sentir algo dessa grandiosidade sem o devido envolvimento emocional.

Isto nada mais é do que uma sequela de uma sociedade que a cada segundo bombardeia padrões e parâmetros, a ponto de fazê-las crer piamente que são elas próprias a construir este enclausuramento claustrofóbico-sexual. Não se trata de uma apologia ao sexo casual desenfreado ou irrefletido, e sim da possibilidade das restrições sexuais femininas caírem por terra de uma vez por todas.

O sexo ainda se encontra catalogado na pilha dos tabus em pleno século 21. As mudanças realizadas pelas mulheres e suas aspirações não atingiram idealmente todas as esferas e esta é uma delas. É como se tivessem preferido deixar este assunto de lado por estar associado demasiadamente à procriação, que por sua vez está ligada à Igreja, e que por isso deve ser feito de maneira comedida e estudada.

Como se não bastasse a imposição social, ainda subsiste a religiosa – e deixado esse tema no âmbito dos “assuntos muito delicados para ser passível de mudanças bruscas”. Pode-se e deve-se escolher o momento certo para se ter um filho, mas para se ter um orgasmo? Soa um pouco estranho. Acho que há uma confusão de finalidades aí.

O amor existe e merece ser cultivado, mas enquanto ele não nos envolver com seu abraço reconfortante não há problema algum em nos aventurarmos por outros segmentos emocionais. Talvez ele esteja escondido e aconteça numa dessas aventuras ou talvez não, mas uma coisa é certa: Você sempre aprenderá algo sobre você e sobre tudo que você pode fazer consigo mesma, com seu corpo e com suas emoções, aliadas umas às outras.