Sexo! A terceira idade PODE

Os preparativos para a velhice (Foto: Claudia Meyer)

A expectativa de vida em países desenvolvidos tem crescido espetacularmente, aumentando a margem de idosos saudáveis e ativos mesmo quando o assunto é o sexo. Mas a sexualidade na terceira idade parece não receber a devida importância da sociedade, que acredita, comodamente, que a atividade sexual declina com o surgimento dos cabelos brancos. Certamente esse não é o caso de Maria Carla Marinho. Sexualmente ativa, brincalhona, gosta de namorar e, o mais importante, se sente feliz com o fato de ser como é. E, se a noite terminar em boa companhia, melhor ainda. A idade? Nem pense em perguntar.

A relação sexual tem sido considerada uma atividade própria e quase monopólio das pessoas jovens, com boa saúde e fisicamente atraentes. A ideia de que os idosos também possam manter relações sexuais não é aceita por muitos, que relegam a eles um personagem fictício repleto de castidade. De acordo com Amparo Caridade, especialista em sexologia humana, a atividade sexual não desaparece na terceira idade, mas se transforma. “Na pessoa madura, a sexualidade compõe o quadro de relacionamento estável e troca mais profunda de emoções. A pessoa idosa pode viver tudo isso, mas jamais deve se exigir um nível de desempenho próprio de um adolescente”, diz.

Maria Carla Marinho (Foto: Camila Ribas)

Carla Marinho (foto ao lado) ficou viúva aos 22 anos, com um bebê nos braços e uma gravidez em curso. Naquela época, não imaginava que aproveitaria tanto sua vida como hoje. Durante a transição, sofreu pressões psicológicas e “ficou amedrontada”, mas optou por não deixar a vida passar. Desde então, está focada em curtir, mesmo com os filhos e netos não gostando muito de seu modo de vida ‘namoradeira-assumida’. Carlinha, como é chamada pelos amigos, não deixa de sair e nem de ficar com os gatinhos, sempre que há oportunidade. Hoje está namorando um rapaz de 32 anos, o “lindinho”. E ela só consegue fazer isso porque não está “preocupada com o que os outros possam pensar”, explica.

Por conta do desconhecimento e da pressão cultural, alguns idosos experimentam um sentimento de culpa e de vergonha por se perceberem com desejos sexuais, chegando a pensar que são anormais. Além disso, tendem a associar o sexo à procriação, quando, na verdade, deveriam associá-lo também ao prazer imediato. “As pessoas idosas não devem se envergonhar de uma coisa bonita como é o desejo. É um sinal positivo de que sua saúde emocional lhe garante essa vitalidade”, diz Amparo. E Carla complementa: “amigos estranham o meu jeito de ser, mas minha idade não faz a menor diferença se há homens que gostam de mim e a gente termina se apaixonando, como pessoas em qualquer idade.

Outro ponto a ser discutido é o fato corriqueiro de considerar a sexualidade exclusivamente calcada no coito, não compreendendo ou concebendo outras atitudes, condutas e práticas igualmente prazerosas. “As pessoas sentem-se muito para baixo quando apresentam dificuldades com o desempenho sexual. No entanto isso pode ocorrer em qualquer fase da vida”, revela Amparo. Quando isso acontece é porque fala mais alto o preconceito em relação à idade. “A genitalidade pode entrar em cena, mas não se pode reduzir a sexualidade apenas a isso. É uma distorção cultural”, explica a especialista. O ideal, segundo Amparo, é começar a enxergar a sabedoria de conviver com a felicidade simples e bonita de estar com o outro numa troca amorosa e amável, o que, muitas vezes, é muito mais importante para manter uma relação amorosa viva.

Carlinha não tem esse problema. Admite que gosta de ser uma pessoa ativa e, às vezes, até dá conselhos para amigas que não querem mais saber de sexo com os próprios maridos. Ela diz que falta às mulheres saber “criar o clima” e se sentirem como mulheres desejadas, atraentes e vivas. “Não se vive sem amor. Se tem gente paquerando comigo e me procurando é sinal que ainda estou bem e principalmente agradando”, fala.

Amparo Caridade (Foto: Divulgação)

Para reativar sentimentos e sensações relacionadas ao corpo e à sexualidade, o primeiro passo é repensar a própria sexualidade. O que você pode, quer e deseja? E o que você deixa de fazer é porque não quer ou você se sente envergonhada? De acordo com Amparo, “não se deve seguir a cartilha de ninguém”. Carlinha pensa assim. Por isso, procura se ocupar, inclusive com atividades que estimulem sua sexualidade. Participa de aulas de hidroginástica, e também de dança do ventre. “Apesar de meu namorado não gostar da dança, não deixo de fazer nada. Se não estiver gostando de como eu sou, a fila anda”, brinca a ‘dançarina’, e finaliza: “não podemos parar a vida”.

Serviço: Projeto UFPE “A dança reinventando a imagem do envelhecimento”
Telefone: (81) 2126.8931

Dica do médico
Por Dra. Thereza Medeiros, ginecologistaAs idosas têm um déficit hormonal muito grande porque os ovários não estão mais atuantes. Sem os esteróides sexuais, a lubrificação fica comprometida, deixando a vagina mais sensível e delicada, portanto, muito mais exposta a lacerações, vaginites e vaginoses. É preciso um acompanhamento médico para manter a harmonia entre a sexualidade e a saúde.

La Grande Dame

Vuve (Pintura de Carlos Coccarelli, anos 2000)

As coxas são grossas e rijas, tantos homens já as sentiram tapando-lhes as orelhas.

Ela é luxuria em carne e vida. Escolhe quem vai ser, onde vai ser e quando vai ser. A dama faz de qualquer leito prazer, com seus modos de dominatrix. A morte da luz faz com que ela desponte no solo mortal com um vestido de textura fina, cabelos de cachos perfeitos e pés equilibrados em gigantescos salto agulha.

A noite é d`Ela. Entra e escolhe a vítima. Depois sai furtivamente para que o escolhido a siga.

– Cale-se!

– Mas, mas…

– Mas porra nenhuma. Quero pensar que estou transando com um morto. Fique estático como um defunto. Quero você gelado!

Ela nunca fez questão de esconder que era vidrada em álcool. Estava bebendo antes, durante e depois do sexo. Quando acabava, pegava a garrafa e olhava o rosto do jovem. E costumava dizer em alto e bom som:

– La Grande Dame. Veuve Clicquot, 1979.

Depois cantarolava bizarrices.

Eu nunca entendi porque o coitado do Sebastian era feito de morto e com os outros gritava e fazia selvagerias. Não importa, no fundo. Ela nos abandonou. Foram mais de dois anos sem a sua presença.

Só voltou a aparecer depois de que um vizinho novo chegou. Logo fez amizade com os pais do garoto. Assistia todos os ensaios de piano do menino surdo, pálido e com cabelos dourados e desgrenhados.

Certa noite o púbere se viu só – a sua maior espectadora não tinha ido…

Ela havia reservado algo para o tenro pianista. Já tarde, abriu vagorosamente a porta e ficou de pé para o menino. Deixou o seu vestido cair e colocou na sua boca um grande gole de champanhe. Levo-o ao chão calmamente e pôs a mão no ombro do franzino rapazote.

Na manhã seguinte, sorriu do concerto que havia preparado por tanto tempo, e novamente desapareceu.

Texto originalmente publicando no site: coccarelli.art.br

Ative-se para um sexo melhor

Sexo e a Dança do Ventre (Foto: Divulgação)

Se você é daquelas mulheres que aos 15 minutos do primeiro tempo, de sexo, já está totalmente esgotada fisicamente, está na hora de repensar a sua saúde. Tão importante quanto transar em si, é manter um bom condicionamento físico, pois uma boa oxigenação e batimentos cardíacos adequados, junto a um tônus muscular que dê conta de pelo menos uma horinha de atividade sexual intensa, são imprescindíveis. O sexo, nessas condições, vai deixar você capaz de se movimentar melhor e ter mais prazer, além de manter sua pele e mente com aquela leveza que te deixa lindíssima. Seu corpo estará mais disposto para não somente as atividades do dia-a-dia, mas também com mais gás para encarar boas noites a dois (ou como você preferir).

Segundo a professora de Educação Física Letícia Antunes, professora de pilates do Studio Carol Monteiro, “existem vários exercícios pra fortalecimento do assoalho pélvico que vão, desde técnicas bem simples às mais avançadas, como o pompoarismo, que visa melhoria do desempenho sexual”. O assoalho pélvico, citado por Letícia, nada mais é que um conjunto de 13 músculos em torno da bacia que têm a função de sustentar os órgãos pélvicos. A fraqueza desses músculos pode ocasionar disfunções sexuais e outros transtornos em algumas mulheres, muitas das quais não sabem o que é períneo nem sua importância. “A disfunção sexual ou flacidez vaginal pode interferir tanto no seu orgasmo como no do seu parceiro, daí a importância das atividades físicas no desempenho da sexualidade”, diz Letícia.

O primeiro passo para começar a investir em um treino que visa o sexo é focar na resistência cardiorrespiratória (capacidade de resistir a um esforço prolongado sem entrar rapidamente em fadiga) e na resistência muscular, que segura o corpo para a realização de movimentos. Considerado por alguns como um exercício físico, a atividade sexual aumenta a circulação sanguínea, a pressão arterial, eleva o ritmo cardíaco e deixa a respiração ofegante. Também libera hormônios como a endorfina, dopamina e serotonina, mas com uma sensação de prazer diferente da anterior. “Durante uma relação sexual, o coração pode chegar a bater 190 batimentos por minuto. A melhoria do condicionamento físico e o aumento da resistência cardiorespiratória interfere no desempenho sexual. Quanto mais condicionado e saudável está seu corpo e mente, maior será a qualidade do ato sexual e mais fôlego você terá”, pontua a educadora física.

Mas se o sexo por si só já é um exercício, porque investir em uma segunda opção para mexer os músculos e liberar endorfina? O motivo é simples e muita gente já passou por isso: na hora de transar, diversas pessoas são acometidas por dores ou disfunções musculares, como as cãimbras. “No ato sexual, muitas vezes é necessário sustentar o corpo em determinadas posições por algum tempo, a melhoria do condicionamento físico já traduziria em uma menor incidência de câimbras e outros desconfortos como dor lombar e cansaço nas pernas. Ao evitar o sedentarismo, praticar alongamentos, manter-se hidratado e ter uma alimentação rica em cálcio, magnésio e potássio, é possível afastar e muito a probabilidade desses efeitos desagradáveis aparecerem durante a relação sexual”, explica.

É preciso lembrar que praticar atividades físicas é bom não somente para melhorar o sexo, mas também todos os outros setores que envolvem o corpo. “Essa melhoria do empenho sexual é decorrente da melhoria da saúde completa. É uma consequência de um melhor condicionamento físico, da autoestima e saúde mental”, explica Letícia, que deixa para os nossos leitores algumas exercícios que trabalham mais especicificamente a região pélvica: a corrida é um exercício completo; a musculação provoca ganho no condicionamento geral; o pilates trabalha a musculatura do assoalho pélvico; a ioga aumenta a flexibilidade e a consciência corporal; a dança do ventre mexe com a região pélvica e é uma dança muito sensual.

Com as dicas em mente, você já pode escolher a atividade mais adequada para você e sair dos 15 minutos para alcançar horas de sexo sem sentir um tiquinho de fadiga. Por cada horinha cada pessoa gasta de 200 kcal até 450 kcal dependendo da intensidade da relação, assim como do metabolismo de cada individuo. “Pode ser que algumas pessoas nem percam peso, mas o sexo saudável e em boas condições tem ótimos efeitos sobre o corpo”, conclui Letícia. E se lembre de usar preservativo. Se proteger é sempre uma ótima opção.

Luísa, prazer

Viciado em Sexo (Foto: Shutterstock)

Pobre Marcelo.
Era um bom sujeito, o rapaz.
Mas tudo foi por água abaixo, que nem merda: sua faculdade, seu emprego, sua boa vida de comedor de macarronada da mamãe.
Culpa da Luísa, aquela maluca.
Foi depois que ele a conheceu que as coisas começaram a amarelar. A iniciar por sua pele.
Emagreceu, andava irritado, nervoso, abatido.
É claro, não lhe sobrava tempo pra mais nada.
Luísa era muito simpática, e bonita, e tinha um belo par de coxas e outro melhor ainda de peitos, mas não deixava o infeliz em paz porque precisava transar.
Nunca vi mulher assim.
Era de manhã, meia manhã, meio-dia, início da tarde, entardecer, noite, madrugada.
E ai do Marcelo, se não comparecesse.
Também, o pobre tinha um medo danado que, se não satisfizesse a namorada, outro satisfaria.
Deus me livre, ele amava Luísa.
Só que não dava conta de comê-la todas as vezes que ela o requisitava.
– Temos outras coisas para fazer além de sexo, querida.
Era o que ele lhe dizia, em vão.
Luísa não queria nem saber.

Um dia caiu doente, meu amigo Marcelo.
E os médicos proibiram a namorada de visitá-lo, afinal, o rapaz precisava de um pouco de paz, e soro, e sossego, e descanso.
Estava fraco e estressado demais.
Muita gente invejava Marcelo, mas eu não. Era dureza para ele, e sem trocadilhos.
A menina não podia vê-lo que já começava seu jogo de fêmea no cio. E não importava onde estivesse, mercado, padaria, cinema, banheiro de universidade, fila de banco, ônibus, banca de jornal.
Ela não dava folga.
Quando Marcelo deixou o hospital, um pouco reabilitado e mais coradinho, vi que estava diferente. Não sei explicar, era um olhar mais obstinado, um jeito mais decidido. O pobre vivia à míngua, mas naquele dia tive a nítida impressão de que iria tomar uma providência.
Fiquei chocado quando soube.
Imaginei que ele iria terminar tudo com Luísa, ou quem sabe decidira dividi-la com seus amigos, como se divide uma tarefa complicada demais ou uma pizza tamanho família.
Mas comê-la, como ele comeu, eu não esperava.
Não com cebolinha e tempero misto.
Não cozida em fogo alto.
Pobre Luísa.

Chapados de testosterona

Chapados de testosterona por Flávio Henrique Leal Lima

O hormônio da libido, nas mulheres e homens, é responsável pela intensidade do desejo sexual. Nos homens, é produzido cerca de 20 a 30 vezes mais que nas mulheres. Entre homens adultos, a ciência comprovou que uma alta produção de testosterona traduz menor propensão ao casamento, maior índice de divórcio, além do dobro de chance de envolvimento em relações extraconjugais.

Agora, mulher, imagine-se em seu famigerado período de TPM. A alteração hormonal mensal de vocês acaba por influenciar o comportamento, o que é natural e, comumente, difícil de ser controlado. Em algumas, inclusive, pode transformar uma pacata e tímida garota numa versão feminina de Hitler. No entanto, nós homens aprendemos a conviver com esta síndrome mensal. Pelo gostar nos adaptamos e tentamos entender.

O exemplo acima de influência hormonal não se restringe ao sexo feminino, também somos guiados pela nossa concentração de testosterona. Claro que se tem aquele velho e inócuo discurso do ser humano como ser racional, que pode se livrar de qualquer amarra simplesmente pelo querer, parecendo esquecer-se de milhares de anos de evolução. Sinceramente, falar é fácil. É certo que se pode tentar controlar algo, viver num eterno estado de policiamento, mas eliminar é utopia.

Para se ter idéia da influência hormonal, o Desejo Sexual Hiperativo (DSH), doença conhecida entre as mulheres como ninfomania e nos homens como satiríase, acomete cerca de 5% da população mundial e corresponde, além de outros aspectos, a um nível elevado e compulsivo de frequência e fantasias sexuais. Apesar de ainda não se ter cientificamente estabelecido uma relação direta entre quantidade de testosterona e pessoas afetadas por essa doença, o tratamento pode envolver medicamentos inibidores de andrógenos, hormônios masculinos (testosterona é o principal), uma vez que esta se relaciona diretamente com o desejo sexual.

Não estou dizendo que a testosterona justifica a infidelidade, longe de se querer aumentar os ciúmes femininos. O que se espera, então, é compreensão. Somos tarados por excelência hormonal. Não precisamos de quantidade de parceiras, mas de qualidade destas. Mais hormônios, mais fantasias. A maioria dos homens já se imaginou umas 2 a 500.000 vezes como ator pornô, não apenas pela bela atriz que provavelmente protagonizou a cena, mas sim pela simples possibilidade de fazer as sacanagens que geralmente não tem em casa.

Dama na sala, dama da noite no quarto. Combinação perfeita para saciarmos nossos desejos. Num relacionamento, o tabu sexual pode ser sinônimo de desmotivação, divórcio e até traição. Muitos homens procuram terceiras apenas para fazerem aquilo que não conseguem ter no lar. Homens não se satisfazem com “papai e mamãe”, sentem necessidade de mais, pois vivem chapados de testosterona. Claro que para alguns a carne é mais fraca. Talvez, para os maiores garanhões da espécie, seja impossível a supressão total do desejo advindo do dito hormônio, assim, não há meretriz, casada com eles ou não, que resolva o caso.

De qualquer forma, o importante a reiterar é que influência há. Mesmo que não seja absoluta, deve, no mínimo, servir de norte para a compreensão de vocês do nosso eterno estado de alerta, ocasionando uma possível quebra de tabus e um consequente florescimento de mulheres que, segundo Chico Buarque, são Sob Medida para os anseios de seus respectivos parceiros. Que tal, então, ultrapassar os limites do cotidiano?

[audio:http://www.revistazena.com.br/wp-content/uploads/audio/sob-medida-chico-buarque.mp3]
Se você crê em Deus
Erga as mão para os céus
E agradeça
Quando me cobiçou
Sem querer acertou
Na cabeça
Eu sou sua alma gêmea
Sou sua fêmea
Seu par, sua irmã
Eu sou seu incesto
Sou igual a você
Eu nasci pra você
Eu não presto
Eu não presto
Traiçoeira e vulgar
Sou sem nome e sem lar
Sou aquela
Eu sou filha da rua
Eu sou cria da sua
Costela
Sou bandida
Sou solta na vida
E sob medida
Pros carinhos seus
Meu amigo
Se ajeite comigo
E dê graças a Deus
Se você crê em Deus
Encaminhe pros céus
Uma prece
E agradeça ao Senhor
Você tem o amor
Que merece

Mezinárodní den žena — Dia Internacional da Mulher

Eu não quero parabéns apenas por um dia. Mas, tudo bem, obrigada. Nós mulheres brasileiras, bravas! Nós, mulheres pernambucanas, palmas! Sertanejas manguebeat como eu. Sobretudo fortes. 8 de Março de 2010. Aniversário de 100 anos em que se instituiu, pela Nações Unidas, o Dia Internacional da Mulher. O único dia no ano, se muito, que o maridão faz o café pra gente, compra flores e chocolates diet. É uma data quase comercial também. Eu disse QUASE. Porque até nisso nós somos lesadas, poucas são as que ganham presentes, comprados em lojas, nesta data. Tudo bem; sou contra o comércio acentuado em datas comemorativas. Sou romântica, presenteio com cartas e trabalhos manuais.

Hoje é uma boa data para fazermos uma reflexão sobre a liberdade, sobre o livre arbítrio, sobre a quebra de conceitos arraigados. Meus avós maternos, primos, foram uma exceção, nasceram com a alma dos artistas desapegados. Pai Coronel, filha Sinhazinha – burlou lindamente o patriarcalismo sem precisar romper com a família. Mas a tarefa não é fácil. A maior parte da submissão feminina está calcada justamente aí, na cultura patriarcal, no moralismo exacerbado. De acordo com os antropólogos Ricardo Stork e Javier Echevarría, “a sociedade é o campo em que o homem pode inventar o humano”. Impressionante como os fatores endógenos e exógenos constroem nosso modo de agir no mundo. Mas lembrem-se, somos seres livres, homens e mulheres. Ampliem seus horizontes através do conhecimento, pois ele é o trampolim da esperança. A Revista Zena luta pela libertação da ignorância, da subserviência, da pobreza intelectual e psicológica, da solidão e da violência.

Devemos lembrar que somos pessoas importantes, sempre. E merecemos respeito sexual, moral, espiritual e político. Desde criança ouvimos, vemos, conhecemos mulheres agredidas em vários sentidos. Faça uma leve reflexão, puxe a fita para trás, lembre-se da sua avó, tia, amiga de infância. Agora acelere. Pare no Big Brother Brasil 2010. Cacau e Morango juntas na Playboy? Certo!? Se rolar, vamos engolir só pela beleza das moças. Lesbianismo forjado, “aceitável”, agora dá lucro. Leiam a excelente reflexão, e ponto de vista, de Ana Veloso sobre a questão no Blog Eu Decido! – que mantém com a jornalista Nataly Queiroz.

 

Saudamos as Zenas da República Tcheca e Eslováquia, que nos inspiraram no nome da Revista. As Zenas do Haiti, grupo social de maior vulnerabilidade, pela força – e o Comitê Internacional Feminista, organizado para garantir os direitos civis das mulheres diante ao caos pós-desastre. (Para conhecer mais sobre a situação das mulheres no Haiti acessem www.cipaf.org.do). As Zenas do Chile, que perderam seus filhos ou morreram no terremoto recente de 8,8 graus na escala Richter. Saudamos também as mulheres que desencantaram, mas deixaram exemplos belíssimos para a humanidade, como Simone de Beauvoir, a super corajosa Eugênia Moreyra – a primeira repórter brasileira; Carmem Miranda, Golda Meir, Olga Benário, Kate Sheppard, Cleópatra, Judith dos apócrifos, Betina, e tantas outras guerreiras, como as vivíssimas Maria da Penha e Dona Margarida Oliveira, capa anterior da Revista Zena. Mirem-se nos exemplos.

Em O Ponto de Mutação, Fritjof Capra fala que o movimento feminista ajudou na criação de uma nova auto-imagem para as mulheres e no renascimento da imagem da Deusa. “Assim, a espiritualidade feminista terá uma influência profunda tanto sobre a religião e a filosofia como sobre nossa vida social e política”. O autor também levanta a questão da criação dos filhos, historicamente delegada às mulheres. Ele diz que uma das mais radicais contribuições dos homens para o desenvolvimento da “consciência feminista” foi participarem da criação dos filhos, como fez John Lennon nos últimos anos da sua vida. Por isso, escolham melhor os seus parceiros meninas.

“À medida que os homens forem se tornando mais ativos como pais, a plena participação das mulheres em todas as áreas da vida pública, que será indubitavelmente conseguida no futuro, está fadada a ocasionar mudanças de profundo alcance em nossas atitudes e em nosso comportamento. Assim, o movimento feminista continuará a afirma-se como uma das mais fortes correntes culturais de nosso tempo. Sua meta final é nada menos do que uma completa redefinição da natureza humana, o que terá o mais profundo efeito sobre a evolução da nossa cultura”, Capra.

Pesquisadores afirmam que estamos mais conscientes dos nossos direitos, continuemos, então, procurando a justiça dos homens. Além da Divina. Não aceitem a violência como resposta. Não se deixem oprimir, não se vendam como a jovem Raffaele Fico – a ex- Big Brother italiana vendeu a virgindade por 1 milhão de euros. Em Londres, o número de mulheres abusadas sexualmente aumentou, o estupro vem sendo usado por gangues para punir integrantes e parentes de gangues rivais, de acordo a Race On The Agenda. A psicóloga Linda Papadopoulos, analisando a sexualidade dos jovens, descobriu que a mídia estimula a violência contra a mulher, já que reforça nossa imagem como objeto de desejo, de que as mulheres existem para serem usadas pelos homens. A análise revelou também a mentalidade britânica – 36% dos entrevistados acreditam que as mulheres devem ser parcialmente responsabilizadas em casos de estupro em que as mesmas estão alcoolizadas. A psicóloga também afirma que uma em cada três garotas britânicas entre 13 e 17 anos já fizeram sexo contra a vontade, um absurdo.

A Costa Rica elege a primeira mulher à presidência, Laura Chinchilla, com 80% dos votos. A americana Elinor Ostrom é a primeira mulher a ganhar o prêmio Nobel de Economia, instituído em 1968. Wook Kundor, com 107 anos, disse que quer casar pela 23ª vez para evitar a solidão, enquanto a ONU anuncia que a Aids causa a maioria das mortes entre mulheres de 15 à 45 anos. De acordo com a Organização, 70% das mulheres no mundo todo sofrem violência, o que impede a negociação com os parceiros para o uso do preservativo.

Pela primeira vez uma mulher ganha o prêmio de Melhor Diretor no Oscar.  Kathryn Bigelow, com “Guerra ao Terror”, abocanha também a estatueta do Melhor Filme.

Avançamos e retrocedemos todos os dias. O caminho é longo, muitas vezes árduo. Busquemos o entendimento dos papéis. Somos responsáveis, cada um de nós, por um mundo diferente, mundo este que construímos. Enquanto pudermos recriar sonhos e apostar em valores humanos o nosso sonho pode correr solto pelo mundo. A semente foi plantada, espero que possamos cultivá-la juntos.

CONFIRA ALGUMAS FOTOS HISTÓRICAS

Os Grandes Valentões da Madrugada e O Dia Internacional da Mulher

Hoje, como a tevê já deve ter avisado através de suas inúmeras e, muitas vezes, constrangedoras propagandas, é o dia internacional da mulher.

E você, rapazinho, deve estar em casa neste exato momento, pensando o que vai comprar para dar de presente para sua mãe, irmã, namorada, avó ou professora.

Perfume? Roupas? Jóias? Rosas?

Não, companheiro, aceite meu conselho: não compre nada.

Instauraram o dia internacional da mulher com os mesmos objetivos escusos que instauraram o dia da criança, dos namorados, das avós, dos amigos.

Motivo para vender mais, blablabla e fim.

Acontece que mulher não precisa de perfume, roupas, jóias ou rosas.

Mulheres precisam de respeito.

E, algumas delas, além de respeito, precisam de ajuda.

Sim, ajuda.

Tem marmanjos demais por aí dando uma de valentão para cima de nossas mulheres.

E não faça essa cara de abajur!

Este é  um problema grave e perigoso, apesar de silencioso, e mais cedo ou mais tarde, acredite, vai bater na sua porta.

Acompanhem estes dados aterrorizantes, por favor.

Os negritos são meus.

  • Brasil é o país que mais sofre com violência doméstica, segundo pesquisa da Sociedade Mundial de Vitimologia (www.ipas.org.br);
  • No Brasil, a cada 7 segundos uma mulher é agredida em seu próprio lar (Fundação Perseu Abramo);
  • A violência doméstica é a principal causa de morte e deficiência entre mulheres de 16 a 44 anos e mata mais do que câncer e acidentes de trânsito (www.violenciamulher.org.br)
  • 51% da população brasileira declaram conhecer ao menos uma mulher que é ou foi agredida por seu companheiro (IBOPE 2006);
  • 30% das mulheres brasileiras com mais de 15 anos já sofreram violência extrema (UNIFEM 2007);
  • Entre 25% e 50% das sobreviventes são infectadas por DST (doenças sexualmente transmissíveis);
  • 70% dos incidentes acontecem dentro de casa, sendo que o agressor é o próprio marido ou companheiro;
  • Mais de 40% das violências resultam em lesões corporais graves decorrentes de socos, tapas, chutes, amarramentos, queimaduras, espancamentos e estrangulamentos;
  • Um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que cerca de 70% das vítimas de assassinato do sexo feminino foram mortas por seus maridos;
  • Pelo menos uma em cada três mulheres ao redor do mundo sofre algum tipo de violência durante sua vida, de acordo com estimativa da Anistia Internacional;

Por isso, amigo, flores e perfumes são bobagens quando, a cada sete segundos, uma mulher é vitimada física ou moralmente dentro de sua própria casa. Faça as contas e veja a gravidade da situação: enquanto você lê este texto, cerca de 25 brasileiras irão sofrer algum tipo de agressão.

É claro, não sou ingênua o bastante para acreditar que um sujeito capaz de bater em uma mulher leia um texto como esse e se sensibilize, assim como não creio que vá se sensibilizar com campanhas contra a violência e etc.

Também não boto fé que uma vítima de violência doméstica, depois de ler o que escrevo, seja possuída por uma súbita e arrebatadora bravura e resolva tomar uma atitude drástica – elas estão muito ocupadas morrendo de medo.

Por isto, este texto é para aqueles homens que não batem em mulheres, e acham isso o ó do borogodó, o fim da picada, o cúmulo dos cúmulos.

Vocês, homens de verdade do meu Brasil, podem ajudá-las.

Sim, vocês!

E explicarei aqui como e por que.

Primeiramente, é importante que todos saibam: nenhuma mulher gosta de apanhar.

Nenhuma; nenhumazinha sequer!

Então, paremos com esse discurso lavo-as-minhas-mãos-e-que-se-foda.

Se a mulher apanha, e continua apanhando, e não denuncia o sujeito, é porque tem medo, camarada.

Só isso.

Ela tem medo.

Medo de sofrer represálias, medo de ser assassinada, medo de sofrer mais agressões, medo por elas, pelos filhos, pelos familiares.

Eu sei, agora existe a Lei Maria da Penha, mas, cá entre nós, substancialmente, a dita cuja não serve para nada.

O agressor recebe uma intimação judicial que o proíbe de se aproximar da vítima, talvez pague umas cestas básicas e pinte alguns muros e canteiros, e tudo continua exatamente igual.

A prova do que digo é o número obsceno de mulheres que acabam assassinadas por seus companheiros, mulheres estas que, muitas vezes, fizeram não apenas um, mas dezenas de BO’s que não resultaram em absolutamente nada.

E estes casos de assassinatos, que só aparecem na televisão porque chegaram ao extremo, são apenas a ponta do iceberg.

Porque, além das vítimas fatais, milhares de outras continuam na mira da violência doméstica, caladas, envergonhadas, apavoradas.

Potencialmente condenadas à morte.

Nem critico a lei.

Não se pode prender todos os homens que ameaçam suas mulheres de morte, porque as cadeias mal possuem vagas para aqueles que, de fato, mataram. Também não existem policiais suficientes para que fiquem de prontidão na casa da vítima 24 horas por dia, pois o efetivo policial está em frangalhos, mal consegue cumprir com suas funções mais básicas.

Logo, a Lei Maria da Penha serve mais para um descarrego de consciência do que, de fato, para proteger a mulher de seu agressor.

Enquanto o homem que bate não tiver medo da punição, continuará batendo.

E acredite: para a maioria deles, meia dúzia de cestas básicas e algumas pinceladas de pincel na parede da delegacia valem à pena, desde que possam continuar aterrorizando sua mulher – esta, aliás, sua maior diversão.

Mas então o que fazer?

Eu respondo: essas mulheres agredidas devem ter um pai, um irmão, um amigo, um vizinho.

Não é  possível que não!

Não acredito que estejam sozinhas no mundo, a mercê.

E são esses homens que possuem a obrigação moral e cívica de defendê-las.

Sim porque, todos sabem: homens que batem em mulheres não passam de grandes covardes bundas moles.

Gostam bater nos mais fracos, porque, de igual para igual, parecem hamsters assustados.

É fato.

E sabem por que afirmo isso com toda a convicção do mundo?

Porque já  sofri violência doméstica também.

Sim, já.

E não tenho vergonha nenhuma de assumir isso publicamente – até porque, sob o meu ponto de vista, quem deve ter vergonha disso é ele, e não eu.

Faz tempo, eu era uma adolescente idiota e abobalhada, e o traste seguiu à risca a cartilha dos valentões: ameaçou, fez chantagem, descontrolou-se, fez e aconteceu.

E só  parou quando tomou meia dúzia de tabefes muito bem dados na orelha.

Exatamente.

O grande e perigosíssimo valentão da madrugada parou de latir assim que tomou o primeiro sopapo.

Cessou com as ameaças, parou de encher o saco, sumiu do mapa.

Sossegou.

E eu, mais ainda.

E foi só aí que entendi: os valentões da madrugada, que gostam de bater em mulheres, só são valentões da madrugada até encontrarem alguém mais valentão da madrugada do que eles – e vamos combinar: de valentões esses ditos cujos só tem a pose.

Ou seja: quem pode, de verdade, ajudar estas mulheres a se defender desses companheiros (?) violentos são os homens que estão à volta dela.

Seus amigos, seu pai, seu novo namorado, seu irmão, seu vizinho, seu colega de trabalho.

Boletins de ocorrência até são válidos, mas, no frigir dos ovos, acabam não servindo para nada.

As mulheres agredidas continuam em risco, continuam amedrontadas, aprisionadas ao seu próprio terror.

Sou daquele tipo de pessoa que acredita que alguns problemas a gente resolve no olho por olho, dente por dente e que se dane.

Homem que bate em mulher é covarde e só por isso bate em mulher.

Porque sabem que, em relação a elas, são mais fortes.

Mas na hora de encarar um homem ‘do seu tamanho’, se mijam nas calças pateticamente e fim.

Garanto.

Eu sei, este é um texto politicamente incorreto.

Afinal, estou sugerindo que resolvamos a violência com mais violência.

Mas, infelizmente, não consigo enxergar outra saída para este mal que atormenta uma mulher a cada 7 segundos, só aqui no Brasil.

E se você  acha que estou errada, e que violência se responde com amor e ternura, e que estes homens precisam de ajuda ao invés de punição, é porque nunca foi agredida, ou porque nunca viu sua amiga, sua mãe ou sua filha sofrer qualquer tipo de violência, qualquer tipo de covardia.

Eu já  fui vítima de violência doméstica, e faço parte destas estatísticas que você acabou de ler ali em cima.

Eu sei exatamente a dimensão do terror sob o qual vivem estas mulheres, sei exatamente qual a grandeza e a gravidade deste problema – e também sei o quanto são acovardados esses grandes valentões, que enquanto latem parecem cachorros grandes, mas é só você sapatear na sala e descobre que não passam de poodles cor de rosa amedrontados e comedores de ração.

Se não podemos prendê-los, então precisamos pará-los.

Temos a obrigação de impedir que suas ameaças se tornem reais.

Precisamos apresentar para estes homenzinhos meia boca homens de verdade, homens que os façam sentir exatamente o mesmo medo e o mesmo terror que incutem em suas parcerias, covardemente, estupidamente, grosseiramente, para que provem o gosto do próprio veneno.

Não dá  para esperar que mais mulheres morram para, só então, puni-los.

Homem que bate em mulher merece apanhar.

Precisa apanhar.

Tem o direito e o dever de apanhar.

É a única maneira de fazer com que estes grandes valentões da madrugada coloquem seu pequenino rabo entre as pernas e deixem suas ex-companheiras viverem em paz.

Ademais, que tenham todos um feliz dia internacional da mulher.

Sem perfumes e jóias, roupas e rosas, com respeito e proteção, agora e sempre.

Amém.

Sexo com amor ou sem

Sex Scene (Pintura de Natalie Watson)

É necessário transpor o muro da autocensura e moralismo há muito tempo imposto e submissamente não escalado pelo sexo feminino por mero receio ou resignação.

Muitas mulheres abrigam, de maneira velada, esse desejo dentro de si de se libertar, de se relacionar com um desconhecido, de sentir um prazer que não esteja ao alcance das palavras. Mas preferem acreditar que não sentem isso de fato e se autossabotam com a ideia de que é impossível sentir algo dessa grandiosidade sem o devido envolvimento emocional.

Isto nada mais é do que uma sequela de uma sociedade que a cada segundo bombardeia padrões e parâmetros, a ponto de fazê-las crer piamente que são elas próprias a construir este enclausuramento claustrofóbico-sexual. Não se trata de uma apologia ao sexo casual desenfreado ou irrefletido, e sim da possibilidade das restrições sexuais femininas caírem por terra de uma vez por todas.

O sexo ainda se encontra catalogado na pilha dos tabus em pleno século 21. As mudanças realizadas pelas mulheres e suas aspirações não atingiram idealmente todas as esferas e esta é uma delas. É como se tivessem preferido deixar este assunto de lado por estar associado demasiadamente à procriação, que por sua vez está ligada à Igreja, e que por isso deve ser feito de maneira comedida e estudada.

Como se não bastasse a imposição social, ainda subsiste a religiosa – e deixado esse tema no âmbito dos “assuntos muito delicados para ser passível de mudanças bruscas”. Pode-se e deve-se escolher o momento certo para se ter um filho, mas para se ter um orgasmo? Soa um pouco estranho. Acho que há uma confusão de finalidades aí.

O amor existe e merece ser cultivado, mas enquanto ele não nos envolver com seu abraço reconfortante não há problema algum em nos aventurarmos por outros segmentos emocionais. Talvez ele esteja escondido e aconteça numa dessas aventuras ou talvez não, mas uma coisa é certa: Você sempre aprenderá algo sobre você e sobre tudo que você pode fazer consigo mesma, com seu corpo e com suas emoções, aliadas umas às outras.