Coração sem fio

Coração sem fio por Dani Leão

Em meio ao comodismo de uma conjuntura tecnológica portátil, a invasão de privacidade deixou de ser mera coadjuvante das calçadas para as chamadas janelas contemporâneas. Os pontos da conexão, que parecem batimentos cardíacos, são viscerais para a relação emotiva entre máquina e ser-humano. Uma espécie de back up social à distância. Um enorme banco de dados interligados por um só espaço cibernético.

O olhar habituado ao quadrado mágico da globalização é o espelho da realidade. As salas de reuniões foram substituídas por salas de bate-papo. Os telefones, televisões, jornais e rádios estão linkados na versatilidade democrática de informações. Essa interligação faz jus à frase de Sherlock Homes: “Você vê, mas não observa.” As pontes que ligam o virtual e o real andam desligadas do insubstituível contato corporal.

As imagens e as palavras não fazem parte de cartas ou cartões postais. Nesse mundo o correio eletrônico é bem pessoal, não é endereçado nem no google maps, mas disponibiliza de fotografias e textos assinados por muitos artistas até então codificados em sites e em@ails. A abreviatura e os símbolos da linguagem internetês são responsáveis por sensações. Inclusive a de ameaça à língua culta =P.

O ideário da contracultura dos anos 60 voltado à liberdade e integração universal é um quadro perfeito da realidade. Os aspectos sociais, culturais, econômicos e políticos de intervenção contestatória da sociedade estão alçados a intercomunicação sem fio. O sistema ancorado no mar de softwares desempenha seu papel em tempo real, não funciona emstand by. Cada indivíduo é responsável por seu repertório, pela sua pesca. Há favoritos e deletados como lixo visual e sonoro.

Essa relação informal e ausente mexe com o íntimo das escolhas e desperta a sedução. A vida pede o F5 nas realizações. A convenção do plano físico chamado “mundo real” está inserida na plataforma geográfica inter(multi)cultural da virtualidade. Embora a internet seja algumas vezes verdadeira, o perfil on line interliga e se difunde do off line, num tempo intermitente. O quadrado das telas toma a forma de um gelo que aparenta ter esfriado a naturalidade. Como por exemplo: as flores sem aroma, as gargalhadas silenciosas =), as doações de órgãos. Um tipo de prisão da essência, do necessário, do vital.

Não aceite um coração desenhado , abra as portas do mundo real e veja o sol brilhar na pele, abrace outro coração sorrindo para o movimento da existência. À noite a lua te convida para dançar e você escolhe a trilha. (Des)conecte os laços. Viva!

Folheie o mundo e marque sua vida

Ilustração de Milo Nanara

A vida é um livro aberto dentro de um cofre de banco, onde são escritas páginas que relatam chaves de guardar segredo. É preciso ser alfabetizado para entender as lições de cada capítulo, assim como entender os investimentos. Não necessariamente ser um doutor das letras, mas um mestre da experiência. Isso requer mais do que diploma ou cálculos. É preciso dar as mãos e não cruzar os braços. O mapa da mina é de quem sente e faz sentir. No pobre mundo rico, riqueza é ser feliz. Segundo Marisa Monte, “é só mistério não tem segredo”.

Evite parar no tempo! A válvula de escape para fugir do unhappy end é preencher o branco das laudas com livre docência na Faculdade Federal da Sabedoria. O medo é uma das causas que reprova a felicidade. A busca pelo “eu” se perde no ego e encontra no eco do vazio somente bem material. É quando confundem o ato de doar com apenas receber. Triste a história desses personagens, prisioneiros egoístas de calculadoras, fadados à falência. Esses poderiam ter suas vidas historiadas a lápis como rascunhos para depois passar a borracha limpo. Viver é atemporal, mas não existem sete vidas como nas lendas do reino animal.

As lembranças fazem parte de alguns títulos que nomeiam o famoso feedback, enumerados por sentimentos que injetam ânimo. É preciso dar continuidade. Equilibrar doses homeopáticas com doses cavalares é, piamente, a nota máxima de equilíbrio. Todos deveriam sacar que para a fila andar é preciso depositar na caixa de seguros, valores que não tem preço. A adaga da vida requer coragem, peito aberto e mente livre. Esses são os bastidores tangíveis debitados no saldo da existência. A ferida amanhã é uma cicatriz do futuro dentro do bolso de uma roupa velha que será dada de presente. Viva até as intempéries!

Uma biografia deveria ser escrita em letras garrafais com marcador de texto nos tons fluorescente, em braile como língua universal para que todos pudessem ler, em tinta como arte para colorir o mundo, em foto como registro resumido de um olhar, em megafones para invadir a solidão das ruas, em bilhetes dependurados nos ramalhetes para florir os dias. Em sorriso de gentileza que perdoa o tempo, em amor que dura eternidade, em cobertores que acolhem os pés descalços das calçadas, em guarda-chuvas fechados para molhar a pele, em guarda-sol aberto para olhar o horizonte, em mãos que se estendem por afeto e não por dinheiro. Saiba fazer o “HAPPY END” de sua narrativa.

Janela panorâmica

Janela Panorâmica por Dani Leão

São tantos homicidas neste vasto hall de sensacionalismo, andam matando até o amor. Quem dirá o próprio? A guerra é de artilharia. Quem acerta mais na era dos profiles ou quem se alimenta mais dos fast foods. É como um binário de on e off line, no trocadalho do carilho de quanto mais on mais off life. No campo da frugalidade os comerciais são doses cavalares da crua realidade deparada nos balcões das boates, bares, shoppings, vielas… Até mesmo na religião.

A ostentação tomou a forma dos espelhos e ainda há quem duvide do seu brilho oportuno em meio a dialetos chulos e ensinamentos piriguetês dos veículos de comunicação. Sem mencionar o tanque de guerra virtual da generalização – tudo em demasia na velocidade dos segundos- embarreirado por telas, numa forma de mascarar seus cumplices.

Na semiótica das cores independente da categoria sociopolítica e econômica- o vermelho- é uma cor de poder, energia e vida. Bem contraditório! A magia do controle remoto, o passe do mouse e a tendência tecnológica são produtos no campo de batalha da nova temporada do botão vermelho. Perante todos os efeitos tem o mesmo significado; desligar. Andam desligando o passado, a realidade e até mesmo o afeto.

Se bem pensado, a análise da evolução cibernética em controversa da civilização é tão radical quanto pensar nos pré-históricos sendo um personagem do woodstock, por exemplo. No entanto com valores de vivência ainda preservados e fazendo valer a palavra de paz e amor com preeminência. Atualmente como cálculo quase que totalitário podemos ouvir no relatar de tempo que muitas pessoas ficam conectadas 24h ou mais. E daí a pergunta: Onde ficam os sentidos do corpo humano?

Talvez o plugin da criminalidade tenha culpa dessa exclusão interpessoal de relação. O que não ofusca os delitos virtuais. Nem tão pouco a autodefesa dos sentimentos. Uns atacam, outros defendem, enquanto a massa consome o pop. Qual será a próxima tendência do banal? Jamais uma escolha será perda de tempo. Digamos que seja um item da experiência que a vida nos dá desde que racionais. E a busca do ser-humano continua infinda quando almejamos a felicidade. Para isto é preciso que qualquer coisa que queime ou gele, estremeça ou pare, toque ou aperte a pele dos sentidos, pulse vida.

A coragem e o tempo são aliados para os perseguidores dos relacionamentos pessoais praticáveis. Hoje em dia ser proativo é o perfil da sobrevivência. Bitolar-se nas redes virtuais é o limite do panorama de viver. Nas ruas… O barulho das buzinas conota um cotidiano de passos, risos e abraços. Os olhares sob a perspectiva do olho no olho e naquela praça dos romances ainda há o registro da beleza natural que sombreia o banquinho da vida.

Aprecie a natureza!

Econominha, tenho uma empresa particular

A vida tem um quê de fortuna que é valia dos experientes e senhora dos bens. Onde somos responsáveis pelos investimentos, brutos ou líquidos. Há quem se dedica a atividades agrícolas no meio das vacas, galinhas e porcos, enquanto outros cuidam das terras para semear bons frutos. Há quem empresaria a vida etílica e engarrafa os sentimentos, enquanto outros bebem realizações. Há os distribuidores do profano no comércio das carnes, enquanto outros proferem os valores da vida. Assim como há os que prestam serviço aos desejos e futilidades e os que emprestam sua rica humildade.

Na existência é preciso lucrar com as ações e expandir os negócios. A renda dos sentimentos é a vantagem do investidor. Seja fiel aos seus fundos, cuidado com a demanda. Segundo a teoria marxista: “Os meios de produção estão no processo de transformação da própria natureza.” Se posicione no mercado positivamente e abra os caminhos das oportunidades. Não confunda lucro com depreciação, onde o cálculo administrativo pode ser o de poupar a sua vida útil a longo prazo. Na competição, constituir estoques é desvantagem por imobilizar o capital, no chamado trade-off seja monopolístico. Haja tempo, trabalho e produção para o efeito do poder aquisitivo.

Não importa a forma de linguagem se a quantidade de oferta está nas possibilidades em que nos dedicamos à liberdade. A vida pode ter uma visão econômica, dependendo de como você a observa. Escolher o caminho certo é o equilíbrio de consumo é fundamental. A busca pelo dinheiro parece mais importante do que a posição que se colocam nas prateleiras. Na beleza estereotipada em clínicas de estética. Nas cores de um anúncio de peças íntimas… Em tecnologias de toques digitais e não de pele. Então, seu repertório é o saldo da balança comercial do sistema em que foi dedicado seu conhecimento. Ter experiência é ser afortunado de beldades naturais, é sentir e ser humano por saber amar a vida.

Um-bi-go

Cena do filme, Aconteceu em Woodstock (Taking Woodstock - Ang Lee, 2009)

Um tipo de amigo bipolar diagnosticado pela liberdade. Uma hora distância, a desoras é só chamar. Realidade atemporal de um esboço preto e branco que colore entrelinhas. No relógio da vida o ponteiro alarma lembranças, quando toca é hora de marcar. Não tem data, não tem lugar. É vida avulsa, muita convicção e preguiça de namorar.

Assim como o pacifismo abordado no filme “Hair”. Está mais para “Free Love” do que “Fuck Buddy”, no sentido real das palavras. A moda às vezes rotula tendências que desmerece a arte e banaliza um momento. Os grandes poetas eternizam até o ato de suspirar. Então por que não fazer uma casadinha entre seguro e amigável no júbilo ato descompromissado?

Um tipo de enquete com infinitas questões. Uma hora afirmativa outrora negativa. É uma frase com reticências. O livro aberto dos melhores capítulos, onde o marca texto escolhe algumas páginas ou até mesmo algumas pequenas citações. A escolha do início, meio e fim da história em mãos. Siga um caminho e não faça morada.

Basta apenas jogar a bandeira da rotina tradicional fora. A chave da casualidade é bem sincera. Around the world. Essa é a jogatina de maior honra ao mérito: Cards on the Table. A prática do Fair Play com maestria. O diagrama perfeito do Yin Yang. Uma cultuação da mitologia hindu. O xadrez do querer e o cacife da aposta de um poker.

Tá mais pra o hipotálamo do que para uma disritmia. Uma forma de guardar as melhores experiências. O amadurecimento dos sentidos. Um ensaio sublime da felicidade. Para quem têm mestrado em acrobacia aérea, malabarismo e equilibrismo sobe uma linha extremamente tênue. Cuidado!
Alguém jamais namorou um inimigo. Cuide do seu umbigo.