A cosmoloucura da natureza humana

Estou suspensa. O abstrato das nuvens e traços de Badida, nenhuma tela, nem mesmo um caco vitral. O rosto que era face evaporou em sons multicoloridos. Sou uma pata loura brincante, um ganso querendo afogar-se, cágado querendo tomate, liberdade com asas, olhos do mistério e da simplicidade. Agora há uma interrogação estilística rasgada na cara, no que era chita e seda.

Fui dispensada de viver como os homens; agora os observo de cima. A saudade por vezes invade. Vivências e amores passados surgem com uma nostalgia absurda. O que foi… O que não foi… O que será? A esperança tem olhos puxados e olhar misterioso Enxertos de cobras em peles de gado, uma multidão de livros em estantes ambulantes, tambores sincopados, negrinhos cantando e dançando. Cavalos galopando, cabras em jardins. Nuvens. Nuvens. Nuvens. Valentia em chutes, tocos e panos esganados. Quanta gente polida, sem vida. Coloco sal no angú, atiço pra ver no que dá.

As pessoas são realmente estranhas. Uma pupila dilatada na calada da noite é um lobisomem, um bicho do mato, uma onça pintada. Calma minha senhora, as pessoas são estranhas, é preciso aprender a amar o tempo. O vento forte bate na porta, os astros arrastam, esquenta o coração, palpita. Não há ilusão. Observo e questiono anéis em cordões. Uma meota, um amor vão? Como é ruim sair daqui, não quero outro mundo, quero o profundo.

 

*ilustração de Alexandre Dantas inspirado no prosapoema.

  • Gabriel Kafure

    gostei mto do video com a trilha sonora
    teu sotaquezinho pernambucano ta lindo, é lindo
    uhuhuhhuhu
    então, gostei tb do meu texto sabe
    tem bastante a ver com coisas q to vivendo agora
    sempre sempre
    valeu belis
    amo vc

  • Arthur Parente

    Muito boa a crônica! abasteceu minha cultura ainda mais! Foi bem fundo no sentimento. Parabéns!

  • Gilmar Horas Peixoto

    Fico muitissimo feliz em descobri Belisa Parente…. ficarei muito mais atento.