Estará salvo o bilhete?

Já escrevi muitas cartas. Algumas destruidoras, outras abismais, loucas, saudosas, alegres, formais. E percebi, no final, que todas eram de amor. Às vezes nem conseguimos falar, imagine transformar sentimentos em escritos… é realmente difícil quando a emoção impera.

Nietzschiana me escreveu durante as férias: “Mulheres Felda- Jazz, transpirando inspiração bruta em diários e correspondências. Eu aqui, você lá. Simples e tênue ligação”. O lirismo foi caminhar na roça, mas cartas continuam aproximando, seja para expressar amor ou ódio. Será o ódio um amor velado?

As cartas de Gibran para a sua Maria caíram nas minhas mãos, fiquei impressionada com uma, em especial, onde o profeta fala sobre o seu amor maior por Deus sem ser piegas. Um encanto modernoso o escritor em 1915 confessar, em carta, que deixaria Mary Haskell pagar a sua passagem até Paris porque havia aprendido, com ela, que “dinheiro não tem dono, apenas passa pelas mãos”.

As cartinhas de Anais para Henry Miller… em uma ela segreda: “Nunca haverá escuridão porque em nós dois há movimento, renovação, surpresas. Nunca conheci a estagnação. Nem mesmo a introspecção tem sido uma experiência inerte… Se é assim, então pense o que encontro em você, que é uma mina de ouro”.

Do outro lado, Henry responde saliente: “Quando você voltar eu vou lhe dar um banquete literário de sexo – o que significa foder e conversar, e conversar e foder. Anais, eu vou abrir as suas entranhas. Deus me perdoe se esta carta algum dia for aberta por engano. Não posso evitar. Eu a quero. Eu a amo. Você é comida e bebida para mim, todo o mecanismo vital”.

John Keats, sedutor clássico, um lordy, conquistou Fanny com cartas de amor, mas nunca concretizaram o amor carnaval, a tuberculose separava os corpos, na época incurável. Este ano, uma de suas cartas, datada de 1820, foi vendida por 110 mil euros. Kafka também padeceu da mesma doença e escreveu para Milena Jesenská: “Aqui estou eu, sentado em frente a esta carta, com mais nada a fazer, à uma e meia da manhã, observando as suas palavras e vendo através delas. Às vezes, nos sonhos, vejo o seu rosto, meus dedos percorrem sua testa e as têmporas e, finalmente, eu consigo segurá-lo em minhas mãos ”.

Existe toda uma magia na construção de cartas, acredito que ao escrever compreendemos melhor os sentimentos. Deixe um bilhete no bolso do seu amado num dia qualquer, ele vai se surpreender – pode até pensar, subitamente, que é da loira do trabalho, mas depois ele encontrará você cheia de sentimentos.’, ‘Estará salvo o bilhete?’, 0, ‘O romantismo de Henry Miller, Anais, Gibran, John Keats e Kafka em cartas de amor. “Nunca haverá escuridão porque em nós dois há movimento, renovação, surpresas. Nunca conheci a estagnação. Nem mesmo a introspecção tem sido uma experiência inerte