Inteligência Emocional, um bem necessário

O que é ser emocionalmente inteligente? De súbito vem a ideia de conseguir equilibrar a emoção e a razão nos momentos em que parecemos perder a consciência de tudo. Mas o pesquisador Hendrie Weisinger, renomado especialista na aplicação da inteligência emocional, define a inteligência emocional como a capacidade de fazer uso inteligente das emoções. Segundo ele, isso significa “fazer intencionalmente com que suas emoções trabalhem a seu favor, usando-as como uma ajuda para ditar seu comportamento e seu raciocínio”.

É, no mínimo, difícil ficar bem com essa balança, e, por outro lado, não precisamos fazer o papel de burguês equilibrado sempre. Então, como devemos agir nos momentos calorosos onde o ímpeto fala mais forte e o sentimento esmaga toda racionalidade? Grace Barros Correia, psicóloga e diretora do Libertas Comunidade, diz que a melhor saída é respirar fundo para não agir por impulso e procurar desenvolver a consciência de si. “Há caminhos como a psicoterapia, a meditação, atenção plena no momento presente, respiração e visão de cultura de paz. Tudo isso ajuda a se conseguir o autodomínio e a desenvolver relações interpessoais mais amorosas e pacíficas”, esclarece.

É fato. Sentimos dificuldade em controlar situações emocionalmente instáveis, principalmente quando existe o sentimento de raiva em questão. Weisinger fala que precisamos controlar a raiva, reprimir o pensamento destrutivo, usar o relaxamento para diminuir o nervosismo e eliminar comportamentos contra-produtivos, como, por exemplo, ficar andando de um lado para o outro. John Mayer e Peter Salovery, psicólogos pioneiros nesses estudos, identificaram componentes necessários à formação da Inteligência Emocional. São eles a capacidade de perceber, avaliar e expressar corretamente uma emoção, a capacidade de gerar ou ter acesso a sentimentos quando eles puderem facilitar sua compreensão de si mesmo e do próximo, a capacidade de compreender as emoções e o conhecimento derivado delas e a capacidade de controlar as próprias emoções para promover o crescimento emocional e intelectual.

Aristóteles disse que “qualquer um pode zangar-se – isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na hora certa, na medida certa, pelo motivo certo e da maneira certa não é fácil”. Como, então, conseguir tal feito? Grace vê na Análise Bioenergética uma saída, já que um dos seus objetivos é desenvolver nas pessoas a autopercepção – o que significa que a cada instante podemos perceber o que estamos sentindo. Segundo ela, é a partir dessa percepção que expressamos adequadamente o sentimento. A análise remete à ideia de estar inteiro no corpo, e, ao trabalhá-lo, os bloqueios vão sendo dissolvidos, assim como a tensão e o estresse.

A maioria de nós já caiu na errática do descontrole, e depois, arrependimento, ocasionada pelo desequilíbrio emocional. É por isso que devemos procurar desenvolver o autodomínio, que, como alerta Grace, é diferente da repressão. “Na repressão corremos o risco do descontrole, da ira, da fúria, de atos violentos”, diz. Porém, até que ponto devemos deixar de propagar na nossa vida o que nos consome por dentro, como sentimos e nos expressamos no mundo? De acordo com a psicóloga, os sentimentos devem fluir e serem expressos naturalmente. Se nos sentimos tristes, devemos chorar. Se sentimos medo, podemos pedir ajuda. Se estivermos com raiva, podemos compartilhar com o outro os motivos da raiva.

Porque não dizer, por exemplo, em bom tom, outro ponto de vista, ou algumas verdades que podem desagradar o outro só para não ser indelicado, fazer praça, ou criar um atrito – muitas vezes necessários para construção do caráter do próximo, aquela coisa do “vivendo e aprendendo”? Segundo a psicóloga, devemos resolver os conflitos construtivamente e sem acumulá-los. “Qualquer convivência é difícil, mas enriquecedora desde que não seja travada uma luta competitiva, de ganhar ou perder. Nas diferenças se aprende muito e tudo pode ser dito se a motivação e a intenção forem amorosas e pacíficas”, esclarece.

Os casos de violência contra as mulheres em Pernambuco são gritantes, superando o índice de São Paulo, que em 2004 era de 4,1 por 100 mil habitantes – enquanto Pernambuco apresentou 6,5. Em 2005, segundo a Secretaria de Defesa Social, 9.886 mulheres registraram queixas, e estima-se que, pelo menos, 20 casos deixam de ser denunciados. Nos últimos quatro anos, a média é de uma mulher assassinada por dia, e 60% dos casos foram praticados por pessoas que convivem com a vítima. Pesquisadores afirmam que a inteligência emocional nas pessoas pode controlar estes impulsos destruidores e levar civilidade às nossas ruas – se somarmos à inteligência a solidariedade e responsabilidade social. O ideal é que todos nós pudéssemos reconhecer estes impulsos e trabalhá-los. No caso dos agressores, a psicoterapia seria um caminho.

De uma forma geral, não podemos dizer que há uma ascendência do coração sobre a razão nas pessoas, mas no caso das paixões, é comum a mente emocional assumir o comando e inundar a mente racional, já que a paixão é explosiva, impulsiva, cega. “O coração é o símbolo do amor. Pelo amor não precisaríamos de leis e nem deveres. Pelo amor as pessoas seriam justas, ninguém gostaria de ter vantagem sobre o outro. Seriam generosas, desenvolveriam a compaixão, perdoariam e seriam pacíficas. A ascendência, hoje, é das emoções destrutivas como a inveja, o ódio, a ira, o apego. A própria sociedade estimula a competição, a violência, ao invés da solidariedade e do amor”, explica Grace.

O “analfabetismo” emocional pode custar às pessoas, e a sociedade em geral, o isolamento, aprisionamento e até a violência – como demonstram os elevados índices de violência contra as mulheres. Grace comenta que, infelizmente, a sociedade atual está em decadência, em degenerescência, e que os valores vigentes estão distorcidos. “Está faltando humanidade. O ter importa mais que o ser. A natureza não é respeitada. Alimenta-se uma ilusão narcisista. Busca-se o sucesso, a fama em detrimento da felicidade e dos valores e virtudes humanas. Como consequência as pessoas estão mais doentes de depressão, pânico, hipertensão”.

A história comprova que é possível cultivar e vivenciar as capacidades de uma mente emocionalmente inteligente. Temos figuras marcantes, como a do nosso dom Helder Câmara, Gandhi, Sidarta Gautama, Nelson Mandela, e tantos outros sábios, humanistas que viviam de modo compassivo e possivelmente com inteligência emocional. Não é à toa que eles deixaram filosofias de vida que atravessam gerações e pensamentos tão engrandecedores como o de dom Helder: “Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante… Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do mundo”.

Inteligência Emocional

– Capacidade de perceber, avaliar e expressar corretamente uma emoção.
– Capacidade de gerar ou ter acesso a sentimentos quando eles puderem facilitar sua compreensão de si mesmo e do próximo.
– Capacidade de compreender as emoções e o conhecimento derivado delas.
– Capacidade de controlar as próprias emoções para promover o crescimento emocional e intelectual.

SERVIÇO:
Libertas:

O Libertas é um grupo de psicólogos que existe há 20 anos. O compromisso social do Libertas concretiza-se nas atividades da Clinica Social, mantida há mais de 15 anos, tendo atendido neste período inúmeras pessoas de menor poder aquisitivo.
Libertas Socializante – Rua Rodrigues Sete, 80 – Tamarineira – Recife (PE)
Libertas Apipucos – Antonio Batista de Souza, 245 – Macaxeira – Recife – Recife (PE)
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Delegacia da Mulher
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