Zine “De Cara com a Poesia” completa 10 anos

A história do idealizador da fanzine “De Cara com a Poesia”, José Carlos da Silva, mais conhecido como Malungo Poeta, começou em 2000, quando ele lançou o seu primeiro livro e ganhou o concurso de poesias da Biblioteca Popular de Afogados. Nessa época ele teve contato com a zine “Poesia Descalça” de Joca de Oliveira e Wilson Vieira e ficou encantado com a possibilidade de distribuir, gratuitamente, palavras. Depois desse primeiro contato, Malungo convidou o poeta Altair Leal e criaram a zine “Frente e Verso”, tendo oito números publicados. Logo conheceu Bruno Candéas e colocou nas ruas, no dia 24 de abril de 2002, mesma data em que começou a se publicada a fanzine Ovni de Leonardo Chaves, 500 exemplares da “De Cara com a Poesia”. Hoje a revista é distribuída em 21 estados, em universidades, bares, centros culturais, e tem a tiragem de cinco mil exemplares.

Nesta edição de uma década da fanzine, Malungo homenageou o poeta França, em memória, com a poesia “Guerreiro da Palavra”. Jomard Muniz de Brito recitou a poesia na festa de comemoração, realizada no Teatro Mamulengo. A poetisa Auzeh Freitas comentou extasiada: “A chuva caía lá fora e os pingos pareciam confetes dourados caindo do céu onde habita o Criador do universo, o poeta primeiro. Meu Deus, quanta magia. Poesia e mais poesia. Malungo, o homenageado, com sua poesia forte como Recife e os arrecifes”. De acordo com Bernardes Alves, na apresentação do livro “O terceiro olho usa lente de contato”, de Malungo Poeta, o autor “foge do tipo convencional ou estereotipado. Isto é, não é tuberculoso e não usa óculos intelectual. Bebe, fuma, cheira e dança. Bebe (e muito) inspiração nas pontes, rios e mangues do Recife. Fuma (e traga) os ares de Olinda. Cheira. Não aquele açúcar refinado colombiano, mas os pescoços das “neguinhas” suadas dos maracatus”.

“Guerreiro da Palavra”

Cabo de Santo Agostinho
Pirapama, canaviais
decolou
pousou em Olinda
Xângo, capoeira
A cor da exclusão
TNT_BUM
explodindo racistas
e universidades
teatro ateu
botijões subindo ladeiras
no ônibus lotado
viajam
Batmam e Jesus
na boca
cheiro de cream-cracker
e poesia
o seu poema grita na rua:
“Dez bolas de sorvete
por apenas um Real”
errante poeta
recitando frutas
cachaças e fumos
um rei negro
em elegância
silêncio sagrado
reflexão
e Isadora
morrendo de saudades.

 

(França)

CONFIRA ALGUMAS FOTOS DO EVENTO

  • Leonardo Chaves

    Bela foto e grande matéria, Belisa. Eu sou Leonardo Chaves, que estava tirando algumas fotos do pessoal que ganhava os prêmios do sorteio.
    Eu gostaria só de fazer uma observação, o trecho onde há escrito “no dia 24 de abril de 2002, mesma data em que começou a se publicada a fanzine Ovni de Leonardo Chaves” não corresponde totalmente à realidade, na verdade, o OVNI começou a sair, (eu não me lembro exatamente a data) em maio desse ano. E no primeiro número, ele tinha outro nome “Fanzine da Contra Cultura”, e como ele era bimestral, em julho é que eu mudei o nome dele para OVNI. Isso não diminui em nada o valor de seu texto, fotos e vídeo. É apenas uma observação, a bem da verdade.

  • Nice Lima

    Olá, Belisa Parente,

    E eu sou Nice Lima, amiga desses dois caras geniais aí de cima, Poeta Malungo e Leo Chaves, sempre antenados e traduzindo em belos textos e pensamentos os mais diversos aspectos e viveres da nossa sociedade.
    Malungo é um dos poetas envolvidos no livro Silêncio Interrompido – Goiana Revisitada, obra aprovada pelo Funcultura e que será lançada em breve. Volto a fazer contato através da Ritmo Comunicação para passar mais detalhes.

    Abraço,

    Nice Lima.
    Ritmo Comunicação