A literatura mulherzinha de Marian Keyes

Antes que você leia esse texto, um alerta: Marian Keyes vicia. Digo isso por experiência própria e por experiência compartilhada via Facebook. Não só pelo abandono causado no pós-epílogo de cada título, como vicia entre um capítulo e outro, visto que suas personagens vivem enredos totalmente enroscados em algo que a gente precisa muito ficar sabendo logo. Além de muito engraçada, a escritora é criativa, inteligente e entende muito bem dos sentimentos que rondam as cabeças femininas, mesmo porque muitos dos enredos são inspirados em suas próprias histórias super loucas.

O primeiro que li foi comprado pela minha irmã e apareceu na estante do nosso quarto.Melancia, de 2003. Como todos os seus livros têm uma pegada bem comercial – mas mesmo assim continuam sendo ótimos, são atraentes para as românticas de plantão. Não só as românticas em si, mas as que se envolvem com as histórias de amigas atrapalhadas, as que bebem muito até cair ou as que têm problemas domésticos. As que são essencialmente mulheres e que gostam de uma boa e engraçada história. Manoel Carlos diria: as mulheres da vida real.

Todos os seus enredos se passam na Irlanda, onde foi criada, e têm alguma relação com a família Walsh. Cada uma das filhas tem uma personalidade única e são as famosas garotas-problema da modernidade, cada uma ao seu modo e cada uma com seu título próprio.

Em Melancia, Claire acaba de dar a luz a seu filho quando o marido a troca pela vizinha. O tema “30 anos” é recorrente, mas abordado com muito humor. Depois de abandonada, passa pela depressão pós-parto e ainda ganha muitos quilinhos por ambos os motivos.

Férias, de 2004, trata da história de Rachel, uma garota que foi internada em uma clínica para se recuperar das drogas e do álcool. Claro que ela acha que está ótima e que a clínica de recuperação é um spa. Sushi, também de 2004, trata da história de três mulheres que vivem insatisfeitas, como muitas de nós.

Aliás, é comum nos livros de Keys o fato de haver histórias paralelas que se entrelaçam no final, ou do meio pro final. Aquele suspensezinho bem típico, mas que não prejudica a leitura leve do gênero. Também faz parte do estilo dela um tom novelístico, onde o final feliz dos contos de fadas modernos marca sempre presença. Mas é capaz de você torcer por isso.

Casório?!, de 2005, é um dos melhores. Traz como personagem principal Lucy Sullivan e da ida dela a uma cartomante. Lá, fica sabendo que se casará, mas ela nem mesmo tem namorado. Será que Lucy se casa mesmo? É Agora… ou Nunca, de 2006, um pouco mais fraco – já que demora para engrenar, é uma história sobre ser feliz. Três amigos continuam a viver sem que nada significante aconteça, até que Fintan – homossexual bem resolvido e o único do trio a viver uma relação satisfatória – manifesta um raro tipo de câncer e faz uma chantagem emocional às amigas. O livro termina no mesmo bom nível que os anteriores.

O Best Seller pra Chamar de Meu, 2008, é o único que não indico por ser bem morno. Mas a crítica, em geral, não o acha chato. Ambienta-se no mundo literário e de duas escritoras rivais, na obra e nos romances que vivem. Ainda não li o restante dos títulos, mas já sei que Los Angeles (próximo da minha lista) e Cheio de Charme são ótimos. O diferencial deles é a linguagem utilizada pelos ótimos tradutores. São recriadores das palavras de Keyes, as interpretam muitíssimo bem.

Apesar de não ser considerado obra-de-arte e nem literatura “de verdade”, o romance de Marian Keyes vale ser pelo menos conhecido por quem tem afinidade com os temas. Não é denso – e nem pretende ser. Apesar disso, trata de temas relevantes como traição, câncer, alcoolismo, homossexualidade,problemas familiares, etc. Se você ainda não sabe o que é chick lit, vai saber na hora que começara ler um Marian Keyes e atravessar as madrugadas com o seu livro.

Alguns livros lançados no país

Livros publicados no Brasil:
Melancia (Watermelon, 2003)
Férias!(Rachel’s Holiday, 2004)
Sushi (Sushifor Beginners, 2004)
Casório?! (Lucy Sullivan is Getting Married, 2005)
É Agora… ouNunca (Last Chance Saloon, 2006)
Los Angeles (Angels,2007)
Um Best Seller pra Chamar de Meu (The Other Side of the Story, 2008)
Tem Alguém Aí? (Anybody Out There?, 2009)
Cheio de Charme (This Charming Man, 2010)

  • Kari

    Olá! Achei super bacana e muito justo à autora o título de “literatura mulhersinha”. Marian Keyes está entre meus autores favoritos e realmente a gente não consegue parar de ler seu livro. Eu não todos ainda, mas pretendo. Li Melancia, Férias!, Sushi e Cheio de Charme. Me apaixonei por cada um. Entre um capítulo e outro muita coisa acontece. Em cada personagem consegue-se encontrar características de alguém ou de si própria. Suas histórias são hilárias e dramáticas ao mesmo tempo. Além disso, vejo nas histórias sempre muita superação, seja qual for o “proplema” que haja em cada um.
    Super indico os livros dela.
    Um abraço