Mais nãos, mais vida

Desde o ano passado, quando ocorreu um super combo de mudanças em minha vida, tenho aprendido a deixar por perto apenas aquilo o que importa. Os amigos do Facebook, inclusive, mas só aqueles da vida real. Não quero ver ou conviver com informações, fotos ou a felicidade (mais reclamações mesmo) de quem não está nem aí para mim ou que não me acrescenta nada. Aprendi a dizer não e a simplesmente excluir pessoas sem me importar com isso.

Não-amigos, de fato, não dão a mínima para a outra ponta do relacionamento. Não ligam, somem e perguntam como você está a cada quatro meses. Estão ali como uma espécie de ligação presa ao passado. E, para mim, só quero presente e futuro. Muito mais presente. Eis que os meus nãos começaram a ser obviamente mais intensos desde então. Sem pena, sem piedade e sem peso na consciência, comecei a filtrar, decidir quem são os amigos e os amigos do Facebook.

Quem me importa, afinal? Por que tenho que estar com eles? A cada clique ou comentário, uma reflexão e uma consequente exclusão. Simples assim: – É, esse não é meu amigo. Correntes quebradas, alma leve. Também tenho levando esses questionamentos para a vida real. Minha cabeça e meus pensamentos. Por que pensar em coisas que não fazem bem, que são apenas lixo mental? Por acaso a minha cabeça é conveniada com a Emlurb? Não. Nem a sua. Então, façamos o favor de nos controlar, de separar o que presta e o que não presta. De deixar apenas as coisas boas na cabeça e as pessoas boas na sala de estar.

E a família? Primos, tios distantes. Quem são eles? Quanto os considero? Por que diabos tenho que ir para o casamento desse cara, ahn… Como é mesmo o nome dele? Bem, se de fato eu o considerasse, ficaria empolgada e nervosa, faria questão de me divertir muito na festa. Mas, não. Eu fui apenas para ninguém falar que eu não fui, para não chatear ou constranger os meus pais. Eu fui, mas não tô nem aí para o casamento deles.

E, se eu casar, quero mais é que só vá quem se importa comigo e não com a comida, o bolo (e porque diabos aquelas tias querem obrigar a gente a fazer bolo de noiva, tão detestável sabor…). Então, como todo bom e velho ranzinza, a resposta universal é:  Eu tô velho demais para frequentar eventos dos quais eu não gostaria de participar. Ou ainda: Eu tô velho demais, posso simplesmente fazer apenas coisas que eu quero. E por aí vai…

Só que eu tô nova. E agora?

Essa semana, uma mocinha, uma ex-concunhada, veio perguntar por que a excluí. Simples: Não somos amigas. Mas poderíamos ter sido. Como diria minha velha vó… “ia” é freio de burro. E as coisas são assim: Ou é, ou não é. Não tem meio amigo, meio filho-da-mãe. O que está apenas no passado não me importa. Ficou lá. E meu coração tá puro, purinho pra aceitar todas as mudanças saborosas.

Eu não tenho que ser amiga de ninguém porque um dia poderia ter sido, ou mesmo porque um dia fui. Eu sou amiga de quem é meu amigo e ponto. Mais uma vez, minha vó: Eu só quero quem me quer. A resposta para os que não compreendem é: Mais dia ou menos dia,  a gente aprende a usar nossos filtros e simplificar as coisas. Ano passado tive provas muito sólidas de que precisava remodelar e reconfigurar toda minha vida, e assim fiz… O resto simplesmente não importa. Uma possível futura amizade não me importa.

Obviamente tem alguns desses que eu amo de paixão e profundamente, familiares, amigos de longa data, amigos de curta data (que, acreditem, têm se multiplicado). E eu sinto quem me quer bem de verdade, na real. Já fui mais ingênua para acreditar em qualquer coisa. Se é meu amigo, sendo família ou não, eu vou saber.

Eu, pessoalmente, fiz um trabalho mental muito pesado, e continuo fazendo, e consegui delimitar o que valia a pena e o que não valia. Assim vou sendo extremamente feliz, como nunca havia sido. E, sinceramente, desejo isso pra todo mundo. Mais nãos, mais ranzinzice e mais lixeira na vida da gente! Mas, bota essa lixeira bem longe, tá?

E sorria, sorria sempre.