Leila, a Leiluska

Nos poucos anos que teve para viver, Leila Diniz casou-se duas vezes, teve uma brilhante carreira de atriz. Deixou um bebê no mundo. Mas não é apenas pelos seus 14 filmes e suas 12 novelas que ela é lembrada. Antes de morrer em um trágico acedente de avião, quando voltava da Austrália, aos 27 anos, Leila Diniz quebrou tabus. E foram tabus durante a Ditadura Militar.

O Brasil tem inúmeras figuras marcantes. Leila Diniz também foi uma delas. Mas não porque era extremamente bela, ou porque lutou por direitos femininos ou políticos. Nada disso. Ela simplesmente foi quem queria ser, ainda que a sociedade não aceitasse o que ela fazia. Para os dias atuais parece não ser nada demais. Mas durante Ditadura, falar o que se queria ou ser alguém polêmico traria, no mínimo, desconforto. E trouxe. Mas ela estava preocupada apenas em ser fiel ao seu próprio sistema de valores que eram baseados intuitivamente pelo hedonismo. Isso se chama autenticidade.

Criticada pela sociedade patriarcal e machista, perseguida pela direita, difamada pela esquerda conservadora e considerada vulgar pelas mulheres de seu tempo, Leila Diniz tornou-se um ícone da liberdade, do hedonismo e da indignação que não abdicou de ser alguém feliz. “Transo de manhã, de tarde e de noite”, dizia ela, ousadamente. Eles perguntavam.

“Sem discurso nem requerimento, Leila Diniz soltou as mulheres de vinte anos presas ao tronco de uma especial escravidão.
— Carlos Drummond de Andrade

E ela era muito ousada. Considerada à frente do seu tempo. Não aceitava as convenções ou alguém que lhe dissesse como deveria ser. Na histórica entrevista que deu ao jornal O Pasquim, em 1969, Leila Diniz, além de falar muitos palavrões, absurdo naquela época, disse: “você pode amar muito uma pessoa e ir para a cama com outra. Já aconteceu comigo”. Foi um Deus nos acuda. Mas aposto que tem gente que se choca com isso. O exemplar mais vendido do jornal foi justamente esse onde houve a publicação da entrevista da atriz fluminense. E foi também depois dessa publicação que foi instaurada a censura prévia à imprensa, mais conhecida como Decreto Leila Diniz.

Outra polêmica Leila causou quando resolveu tirar fotos de biquíni na praia, aos quase nove meses de gestação. Naquela época, as mulheres quase nunca mostravam o corpo, ainda mais quando estavam grávidas. Ela foi alvo de todos, inclusive das feministas. Alegando razões morais, a TV Globo, do Rio de Janeiro, não renovou o contrato com a atriz. De acordo com Janete Clair, não haveria papel de prostituta nas próximas telenovelas da emissora. Janete Clair…

Quando Leila morreu sua filha tinha apenas sete meses. Sua amiga, a atriz Marieta Severo e o compositor e cantor Chico Buarque de Holanda cuidaram da filha de Leila Diniz e Ruy Guerra durante muito tempo,até o pai da criança ter condições de assumir a filha Janaína.

Cena do filme: TODAS AS MULHERES DO MUNDO, dirigido por Domingos de Oliveira (1967)

Leila Diniz, A Mulher de Ipanema, defensora do amor livre e do prazer sexual é sempre lembrada como símbolo da revolução feminina, que rompeu conceitos e tabus por meio de suas ideias e atitudes. Nada demais ser quem se queremos ser, não é mesmo? Mas vai ser Leila Diniz, a Leiluska de Ipanema.

Na televisão
1970 – E Nós, Aonde Vamos? – Beth – (TV Tupi)
1969/70 – Dez Vidas – Pompom – (TV Excelsior)
1969 – Vidas em Conflito – Débora – (TV Excelsior)
1969 – Acorrentados – Irmã Amparo – (TV Rio)
1968 – O Direito dos Filhos – Ana Lúcia – (TV Excelsior)
1967 – A Rainha Louca – Lorenza – (Rede Globo)
1967 – Anastácia, a Mulher sem Destino – Anastácia – (Rede Globo)
1966/67 – O Sheik de Agadir – Madelon (Rede Globo)
1966 – Eu Compro Esta Mulher – Úrsula (Rede Globo)
1965 – Um Rosto de Mulher – (TV Paulista)
1965 – Paixão de Outono – Maria Luísa – (TV Paulista)
1965 – Ilusões Perdidas – (TV Paulista)

No cinema
1967 – O Mundo Alegre de Helô – Luisinha
1967 – Mineirinho, Vivo ou Morto – Maria
1967 – Todas as Mulheres do Mundo – Maria Alice
1967 – Juego peligroso
1968 – Edu, Coração de Ouro – Tatiana
1968 – O Homem Nu – Mariana
1968 – A Madona de Cedro – Marta
1968 – Fome de Amor – Ulla
1969 – Corisco, o Diabo Loiro – Dadá
1969 – Os Paqueras – ela mesma
1970 – Azyllo Muito Louco – Eudóxia
1970 – O Donzelo – participação especial como ela mesma
1971 – Mãos Vazias
1972 – Amor, Carnaval e Sonhos
1977 – O Dia Marcado

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