Mangue Beat é discutido com fundadores do movimento

Intitulado “A estética mangue beat“, o primeiro Café Cultural de 2010 da Fafire contou com a participação do produtor cultural Roger de Renor, o jornalista Marcelo Pereira e os músicos Silvério Pessoa e Fred 04. O Café aconteceu no último dia 17, no auditório da pós-graduação da faculdade.

Concluinte da pós-graduação em psicopedagogia e músico, Silvério Pessoa explicou que se sentia feliz pelo convite, porém, deixou claro que não fez parte do nascimento do movimento. Segundo contou, “começou a acompanhar as mudanças através da mídia e, envolvido com a proposta, criou o Cascabulho”, que é hoje considerado um dos grupos que nasceram por influência do Mangue Beat e que tem identidade peculiar.

As mais de cem pessoas presentes ouviram, em seguida, em tom divertido e informal, o jornalista Marcelo Pereira, do Jornal do Commercio, contar como conheceu os rapazes e, naturalmente, ajudou a divulgar a música beat. O interessante, para ele, era perceber a vontade dos músicos: “ninguém tinha dinheiro, mas conseguiram chegar no ápice”.
Para ele, Xico Sá, que hoje atua na Folha de S. Paulo e amigo da turma, foi um dos responsáveis por divulgar o movimento na mídia nacional.

Fred 04, fundador da banda Mundo Livre S.A., explicou que, neste momento, em todos os lugares está se falando de Chico Science e, por isso, ele próprio se tornou uma espécie de embaixador permanente da memória do movimento. Segundo ele, desde que ouviu o som pela primeira vez, “não teve dúvidas que ia ser um pipoco”. Ele também colocou que havia pessoas brilhantes naquela geração e, que, para se dar bem, era preciso se mudar. Eles então pensavam, obsessivamente, em mudar o local, para manter a cultura pernambucana intacta e ninguém ir embora. Hoje ele considera “a valorização da cultura local e a identificação das pessoas como o maior legado do movimento”.

Roger de Renor, que, à época do nascimento do Mangue Beat era produtor musical, disse que a indústria cultural era especialmente ditatorial e que, o grande barato do movimento mangue é “devolver produção às gerações posteriores”, sem dependência, em um tom libertário. Hoje, todo mundo entende a estética de Pernambuco por causa do Mangue Beat, disse, acrescentando que “a nossa música foi a grande condutora da cultura pernambucana para o mundo”.

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