Calypso A oculta ou a que se esconde

Ninfa filha de Atlas e Plêione vivia na ilha de Ogígia – algumas tradições a identificam como a península de Ceuta, em frente à Gilbratar. Lá habitava uma gruta profunda. Esta possuía várias salas que exibiam jardins naturais, bosques e nascentes. Passava o dia a fiar, juntamente com outras ninfas que eram suas servas. Durante o trabalho costumavam cantar com suas vozes doces. No grande épico da Odisseia, a loura Calypso retém Ulisses em sua ilha por sete anos, uma vez que por ele se apaixonara perdidamente. Tudo fazendo para que ele aceitasse a imortalidade e deixasse sua vida, sua casa e seu amor por Penélope em definitivo. Mas a deusa Atenas intercede a favor de Ulisses junto à Zeus, pois o herói muito sofria de saudades. Assim, Calypso se vê obrigada a libertá-lo.

Num processo de vida, não é incomum sermos retidos por uma ideia, por uma depressão, por um vício, ou ainda, por uma ilusão amorosa. No caso da droga, por exemplo, isso é bem claro, ela oferece, ou parece oferecer, uma certa condição divina, um estado de êxtase permanente, um alívio da realidade mortal. O que é uma mera ilusão e extremamente perigosa, pois não se pode alcançar a condição imortal sem um trabalho verdadeiro da alma. No mito, o enlace com a ninfa Calypso é como a própria morte. Outro caso comum, é quando o indivíduo numa relação amorosa não liberta o outro nem se liberta, na crença de uma realização amorosa apenas com aquela pessoa, gerando um sofrimento considerável, uma vez que não se tem o domínio do sentimento do outro. O que nós podemos fazer é trabalhar o nosso próprio sentimento. E o mito nos dá uma pista, pois quem intercede por Ulisses foi a deusa da razão e da reflexão.