MAAT – A verdade é jovem

Segundo algumas versões, a deusa Maat nasceu da pena de uma andorinha quando recebeu de Rá, deus-sol, um raio fecundador. Esposa de Toth, o escriba dos deuses, ela era aclamada no antigo Egito como a deusa da justiça, da verdade, da retidão e do senso da realidade.

No princípio de tudo, Rá surgiu no local da criação, e logo pôs sua filha Maat no lugar da desordem e do caos. Estabelecendo não só a ordem, mas também a verdade. Assim, sem Maat, toda a criação sucumbiria e afundaria no caos original. Normalmente é representada por uma mulher jovem, de pé, sentada ou com um dos joelhos em terra, exibindo na cabeça uma pluma de avestruz.

No tocante à vida religiosa, tinha um papel fundamental para os egípcios antigos, pois a morte não era o fim e sim uma interrupção, e para alcançar a vida plena após a morte, o indivíduo deveria mostra-se merecedor através de uma existência honrada. Numa balança cerimonial, pesavam-se as almas de todos que chegassem ao Salão de Julgamento Subterrâneo, ou das Duas Verdades. Em um dos pratos, colocava-se a pena da deusa e no outro, o coração do falecido. Se os pratos ficassem em equilíbrio, o morto podia ficar aliviado, pois seria conduzido por Hórus, e recebido finalmente no reino de Osíris. Entretanto, se o coração fosse mais pesado, ele seria devorado por Ammut, deusa do Inferno, (parte hipopótamo, parte leão, parte crocodilo). Para os egípcios antigos, o coração era também a consciência, ou o centro do pensamento.

O mito de Maat, nos oferece essa concepção do valor da justeza e da verdade, pois ela funda a honestidade no mundo. Num processo terapêutico constituído, isso é tão essencial que deverá se dá no próprio momento de sua fundação, logo à primeira luz do arcabouço teórico. Tal regime agirá de imediato sobre o caos emocional (na forma de angustias, neuroses, desespero, tristeza e etc). A ideia de equilíbrio é central no mito, o que o torna muito importante, pois equilíbrio é o valor maior em termos de saúde física ou mental. De outro lado, a ideia de leveza também aparece, expressa aí pela pena. Como se nos lembrasse que a justiça, a verdade e a ordem tem uma ligação forte com a leveza. E o que seria isso? Se o indivíduo está ajustado em sua realidade, ou seja, conduzindo-se de uma forma madura, ética e emocionalmente, ele dificilmente acumulará frustrações ou desilusões; infringirá os limites do próprio ser ou da realidade; enfim, dificilmente atentará contra o bom-senso.

O que não quer dizer que ele suportará e atenderá a todos os valores sociais em detrimento da verdade do ser. Portanto, esse indivíduo estará livre e leve em seu caminhar. De outra maneira, os acúmulos de qualquer espécie e as más resoluções emocionais o levará a ser atormentado pelas forças do inconsciente (devorado) ou do mundo à sua volta, cobrando o trabalho não realizado, bem como, o enfrentamento de suas inconsistências. O fato é que cada indivíduo será chamado a prestar contas em diversos momentos da vida, e precisará ser bastante honesto consigo mesmo para conquistar o equilíbrio entre as exigências do mundo e as demandas pessoais; dar conta da realidade e a suas dificuldades, e manifestar de forma mais autêntica o próprio ser. Feito isso, uma vida de maior qualidade poderá se abrir no caminho da pessoa.