Fiat Lux!

Acordei sentindo-me estranha…

Não sabia que trazia

um aquário em mim.

Nele, a vida flutuava

em líquido promissor.
Pedaço do Atlântico,

como era de ser,

por vezes meu útero

era dado a sobressaltos,

marés revoltosas.
Oceano de um só peixe,

esse ventre perpetuava

um eu que não me pertencia

Mas ao mesmo tempo

crescia em mim a

sensação de ser várias:

alga, baleia

que engoliu Jonas, água viva
Qualquer coisa que

rompendo a película

trouxesse à praia

o signo da inquietação.
Essa vida no aquário

era estrela-do-mar

Por isso te ofuscava.