Double Take

Johan Grimmonprez nasceu em Roeselare, Bélgica, em 1962. Ele costuma manusear imagens de todo tipo fazendo colagens em seus filmes e dispor de Hitchcock neles, a exemplo de “Grimmonprez´s looking for Alfred” (2005). Quem o diretor também faz alusão neste filme é ao pintor surrealista René Magritte (Lessines, Bélgica) do qual provavelmente deve ter tido influencia considerando os paradoxos visuais e perspectivistas em suas obras.

Double Take (2001) é um filme sobre duplicidade, no qual o diretor se vale da figura de Hitchcock como um verdadeiro prisma do qual emana gradativamente e adquire forma todo o desenlace de detalhes que compõem a trama. Isso se deve ao fato de Alfred estar ligado diretamente ou não aos temas abordados, como cinema, TV, guerra fria…

O longa começa um tanto monótono e confuso, intencionalmente, para só depois prender, hipnoticamente, os olhos do telespectador. Mesclando, inteligentemente, a comedia, o bom-humor, a música grave e assustadora, Hitchcock, o suspense e a transição aleatória quase que instantânea das cenas.

Ao estilo do mestre do suspense, Johan Grimmonprez usa paradoxos, adequando contrariamente às situações que aparecem ás músicas tocada simultaneamente, provocando ora a seriedade ora o riso, ora a tensão ora o relaxamento. Como não poderia deixar de ser, o filme requer uma reflexão filosófica sobre quem somos, o que podemos ser, o que nos tornamos, a partir da idéia do duplo e isso é bombardeado nas mais variadas nuances.

É incontestável que o filme apesar de não ser sobre Hitchcock rende-lhe uma homenagem latente, pois o mesmo aparece mais ou menos em 85% das cenas e o desfecho culmina com sua morte, o que deixa pairando no ar a hipótese de homenagem póstuma construída de uma maneira extremamente singular e inusitada.

Double Take (Idem, Bélgica/ Alemanha/ Holanda, 2009). Direção: Johan Grimonprez. Roteiro: Johan Grimonprez e Tom McCarthy. Elenco: Ron Burrage, Mark Perry, Delfine Bafort. Documentário. 80 min. (Colorido e Preto e Branco).