Bonequinha de lusho

Ainda fazia as pernas com cera barata, daquelas feitas em casa com mel quente e limão… Estavam um nojo, quando escutei as primeiras buzinas – eram as meninas gritando por mim. Apareci na janela e, berrando, pedi para esperar um pouco, pois ainda faltava terminar o reboco do rosto – mesmo muito bonita, sim eu sou linda, estava com uma enorme espinha.

Não caprichei muito nas pernas, já estava tudo separado: calca bem justa com aquele desbotado, um scarpin de camurça preto e uma blusinha vermelha de tecido fino – mas até o momento a única coisa que me cobria era a calcinha.

Depois de terminar a perna toda, comecei a passar a base, notei uns pelos indesejados no rosto, peguei a pinça e os removi com velocidade, não queria aquilo em mim. Base + batom no tom vermelho médio + sombra e muito brilho. Os cabeços nada organizados, desgrenhados milimetricamente de propósito e a argola maior e mais pesada que eu pudesse carregar nas orelhas – toda mulher fica bem de argola!!!

Desci as escadas correndo sem o meu salto, calcei no carro. Todas eufóricas por que era a primeira vez que eu iria na boate com elas; três lindas garotas, todas doidinhas para passar a noite na casa de um desconhecido, e no outro dia sentir a buceta toda dolorida depois de uma foda violenta.

No carro a conversa só era uma, a foda da noite. Eu estava ficando muito envergonhada, o nível estava indo além do esperado por mim. Vinte minutos depois, me perguntaram como eu gostava. Estava no banco de trás, olhei no retrovisor e uma gota de suor desceu pela orelha, engoli a saliva e respondi: Gosto de trepar gritando palavrões, com bastante grosseria e muita encenação – sim eu gosto de gozar alto pra impressionar, mas interrompi antes que elas perguntassem mais. Mas só saio de dentro quando eu gozo, eu enfatizei a palavra EU. Por que meu sexo é egoísta,
pouco importa se estão gostando.

Bem, a viagem estava ficando longa demais e olhe que são vinte minutos da minha casa para a boate. Era entediante, as três mulheres só falavam de homens, de pau, de gozadas, essas coisas. Minutos depois, dos mesmos-prolixos-repetidos-assuntos, resolvi me calar e a viagem ficou curta, finalmente chegamos, desci do carro, a boate era GLS, vulgo inferninho. Bem barata, as bichas todas afeminadas e os heteros com as barbas bem feitas, coisa de filme, mas ninguém ali era heterossexual, todos estavam a fim de tudo.

Na fila já tinha gente se pegando, duas meninas, ambas masculizadas, parecendo aqueles veadinhos emos do Restart. As meninas estavam levando a sério a coisa, uma começou a enfiar a mão no shortinho da hora, estava esquentando. Tudo parou quando o amigo delas gritou ao reconhecê-las: “Eliane, tu tais fazendo o terra em Jaque?”. Todas as atenções se voltavam para o frangote.

Entrei na frente de todo mundo, me sentindo uma estrela, a vigia era minha amiga. Deu-me um abraço apertado, quase tira os meus peitos do lugar. Meus primeiros passos foram auxiliados pelas mãos na parede de tijolo aparente, por causa do escuro. O salto alto fino e a camisa desgastada foram bem escolhidos, eu era uma das maiores fêmeas do local.

No auge da noite eu e as meninas estávamos bêbadas com quatro garrafas que vodka barata. Subi no “queijo” e arrasei; tudo estava perfeito até que inventei de descer sozinha e caí em cima de um grupo de machos alfa que estavam na minha frente: “Não se preocupa gatinha, eu te seguro”, falou um deles que tinha o nome R0JER no meio do peito com uns periquitos amarelos nas extremidades. Após me levantar, ele me ofereceu uma bebida – no mínimo estava querendo trepar comigo, vendo que eu estava alcoolizada e me oferecendo mais. Apenas peguei na mão dele e saí do
grupinho; ele era magro com ombros bem largos, seu corpo era bem ossudo, tinha a barba ruiva por fazer e a pegada era firme. Ele segurou minha mão com a maior firmeza do mundo – me queria, era fato, não sei o motivo, mas eu iria matar a vontade dele!

Na porta do banheiro, o abracei e sussurrei no ouvido dele: É isso mesmo que você quer? Ele apenas balançou a cabeça afirmando. Com certeza já tinha descoberto o meu segredo, senti medo, entrar num banheiro com alguém que apenas olhei nos olhos me deixava nervosa, muito nervosa… Entramos no banheiro, o cheiro de urina concentrada na bacia estava me dando ânsia de vômito, mas não ia parar por isso.

Ele segurou a minha nuca, me olhos nos olhos e me beijo com um beijo molhado na medida certa. A língua dele era curta, não passou mais de cinco minutos dentro da minha boca, parou e falou: “Sei que você é um homem, quero que me coma!”.