Machinhos

Não sei precisar quando isso começou, eu simplesmente havia cansado de tomar qualquer iniciativa, de puxar papo ou indicar o caminho. No fundo era tão fácil, imagina, você bota as pernas de fora, pisca o olho pro gatinho, pronto, há muitas presas fáceis nesta vida. Se os corpos se aninharem, no outro dia basta uma mensagenzinha e, pernas e braços, beijos e abraços e tudo no fundo superficial, até os horários dos encontros.

Com um passo de mágica, resolvi inverter a ordem dos fatores múltiplos e tentar realizar uma fantasia sexual antiga, a de ser dominada em todos os sentidos. Mas para isso, eu precisava encontrar alguém arrebatador, que me tirasse o fôlego e as palavras.

No início, algo como a paixão parecia clamar, mas nunca fui boa em química. Sabe aquela música do Lobão? Pois é, pedi desculpa para mim, sempre altiva e de uma hora para outro querer experimentar a pele de Amélia. Sem ao menos saber se iria conseguir.

Apesar da mudança involuntária, os desdobramentos dela pareciam radicais, eram difíceis de serem digeridos pelo meu cérebro. Uma hora ou outra me via nos braços de algum bonitão, apesar de no outro dia acordar sem um pingo de serotonina. Os machinhos também sempre acomodados, olhares vazios, às vezes cobertos apenas por um desejo carnal sem nenhum sex appeal.

Eu queria mesmo ser conquistada, mas pensei pelo outro lado, quem é que não quer? Diante de uma massa enorme ser reconhecido individualmente e receber uma atenção especial, um mimo, algo que nos ligue automaticamente sem precisar usar palavras – de física, energia e saltos quânticos eu entendo. Não é necessário tanto esforço na conquista, ser apenas eu mesma e só fazer o que eu realmente estivesse afim podia ser um bom caminho. Será? Enquanto o coronel não chega com a chibata, resolvi fazer elucubrações e, descobri… sou um tanto masoquista.