Sexo com amor ou sem

É necessário transpor o muro da autocensura e moralismo há muito tempo imposto e submissamente não escalado pelo sexo feminino por mero receio ou resignação.

Muitas mulheres abrigam, de maneira velada, esse desejo dentro de si de se libertar, de se relacionar com um desconhecido, de sentir um prazer que não esteja ao alcance das palavras. Mas preferem acreditar que não sentem isso de fato e se autossabotam com a ideia de que é impossível sentir algo dessa grandiosidade sem o devido envolvimento emocional.

Isto nada mais é do que uma sequela de uma sociedade que a cada segundo bombardeia padrões e parâmetros, a ponto de fazê-las crer piamente que são elas próprias a construir este enclausuramento claustrofóbico-sexual. Não se trata de uma apologia ao sexo casual desenfreado ou irrefletido, e sim da possibilidade das restrições sexuais femininas caírem por terra de uma vez por todas.

O sexo ainda se encontra catalogado na pilha dos tabus em pleno século 21. As mudanças realizadas pelas mulheres e suas aspirações não atingiram idealmente todas as esferas e esta é uma delas. É como se tivessem preferido deixar este assunto de lado por estar associado demasiadamente à procriação, que por sua vez está ligada à Igreja, e que por isso deve ser feito de maneira comedida e estudada.

Como se não bastasse a imposição social, ainda subsiste a religiosa – e deixado esse tema no âmbito dos “assuntos muito delicados para ser passível de mudanças bruscas”. Pode-se e deve-se escolher o momento certo para se ter um filho, mas para se ter um orgasmo? Soa um pouco estranho. Acho que há uma confusão de finalidades aí.

O amor existe e merece ser cultivado, mas enquanto ele não nos envolver com seu abraço reconfortante não há problema algum em nos aventurarmos por outros segmentos emocionais. Talvez ele esteja escondido e aconteça numa dessas aventuras ou talvez não, mas uma coisa é certa: Você sempre aprenderá algo sobre você e sobre tudo que você pode fazer consigo mesma, com seu corpo e com suas emoções, aliadas umas às outras.

  • Concordo.
    Antes de construir nosso lar, doce lar, é bacana dar uma passeadinha pelo lado selvagem da vida.
    Já disse Lou Reed: hey babe, take a walk on the wild side.

    Mas depois é melhor voltar.
    Muito tempo por lá endurece nossa ternura.
    Bem, eu acho.

    Um beijo, parabéns pelo texto.
    😉

  • Concordo com o texto e mais ainda com o comentário sucinto da nossa amiga de cima,Jana.
    Carolina Soido

  • Arimatéa de Andrade

    A mulher luta corajosamente contra uma situação a ela imposta há milênios.Claro, que a mulher sexualmente, é praticamente igual ao homem, mesmos desejos e aventuras.Que derrubem os muros e as cercas, que teimam em prender a mulher como um ser passivo e preparado apenas para ser mãe e perpetuadora da espécie humana.